09 de julho de 2026
Política

Acirrada, eleição do PT terá 3 chapas

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Foram registradas ontem as três chapas que disputarão o comando do PT de Bauru nas eleições internas, marcadas para o mês de novembro. Como já era esperado, foi confirmada a cisão na corrente majoritária da sigla, a “Construindo o Novo Brasil”. Sandro Bussola (PT) e José Carlos de Souza Batata (PT), mentor e candidato a presidente das duas chapas resultantes do antigo bloco, trocaram críticas sem citar o nome um do outro.

Nos bastidores, porém, o clima foi de guerra nas últimas semanas para a composição dos grupos. De um lado, a vice-prefeita Estela Almagro (PT) articulou para manter a já histórica hegemonia que exerce sobre o partido, mesmo não integrando a Executiva local há muitos anos.

Dessa vez, escolheu o marido e ex-vereador para encabeçar a chapa que apoia, aglutinando ainda o grupo organizado pelo superintendente do INSS, Josué Lopes, que, até duas semanas atrás, dava como certo o lançamento de candidatura e chapa independentes.

Na outra ponta, Cláudio da Construção (PT) é o candidato a presidente no grupo articulado por Bussola, atual presidente do partido em Bauru, conduzido ao cargo justamente pelo grupo de Estela e Batata, de quem foi assessor parlamentar até decidir alçar voo solo e se candidatar a vereador em 2012, quando derrotou o “padrinho” nas urnas.

Sandro garante que, em todo o tempo, buscou a união entre os dois setores da corrente majoritária. Há informações, no entanto, de que o grupo de Estela propôs o consenso em torno do secretário de Agricultura, Chico Maia. A proposta, porém, teria naufragado após vazamento da informação a veículos de comunicação por pessoas ligados a Bussola, que nega.

O vereador, porém, conseguiu atrair o apoio de Jorge Moura (PT), que já o ajudou em sua campanha eleitoral de 2012, mas cogitava lançar candidatura própria por integrar uma das correntes minoritárias da sigla.


Indiretas

O prazo para registro das chapas terminava às 20h de ontem. As duas principais entregaram a documentação entre as 19h35 e 19h45. No local, Sandro, da “Construindo um PT para todos” e Batata, da “Construindo uma Nova Bauru”, comentaram a disputa e atacaram um ao outro.

Bussola deixou escapar o quão turbulentas foram as articulações nas últimas semanas, declarando esperar que os debates até a eleição sejam restritos ao campo das ideias e não cheguem ao pessoal, mas despistou quando questionado sobre eventuais episódios do tipo.

O petista acredita que o partido saia fortalecido após a disputa interna e declarou que chegou ao fim a hegemonia de 90% no controle do diretório por parte de Estela e Batata.

“O partido precisa se oxigenar e a abertura na composição do diretório ajuda muito”, afirmou ao tentar explicar por que rompeu com seus antigos mentores e padrinhos políticos – que, segundo consta, já haviam se manifestado contrários à candidatura de Bussola à Câmara Municipal.

Batata, por sua vez, atacou a condução da sigla nos últimos dois mandatos de Sandro à frente da presidência. Segundo o ex-vereador, o PT careceu de vida orgânica nos últimos oito anos. “O intuito da nossa chapa é resgatar isso”, disse.

Ele afirma que o partido não pode ficar de fora das discussões sobre as grandes questões da cidade e isso deve acontecer com a participação efetiva da militância.

“A gente quer um PT diferente do que foi até hoje, onde a militância possa ter voz e vez”, declarou Batata, sem pontuar que colaborou para a reeleição de Sandro Bussola à presidência do PT em 2009.


Terceira via

“Virar à Esquerda; Reatar com o Socialismo” é o nome da terceira chapa, da Esquerda Marxista do PT, ligada ao vereador Roque Ferreira (PT). Fabrício Genaro, seu assessor, é o candidato a presidente do partido pelo grupo que, historicamente, lança chapas independentes da ala majoritária.

Na tese de conjuntura, a Esquerda Marxista defende a ruptura das políticas de alianças, fim das práticas características de “partidos de direita” e o fim das campanhas eleitorais milionários.

No âmbito municipal, o grupo critica a participação do partido no governo Rodrigo Agostinho (PMDB). A tese alega que o prefeito demonstrou não ter apreço pelas ações coletivas e critica a troca dos secretários, já durante o primeiro mandato, indicados pelo PT, PSB e PCdoB.


Como funciona

No dia 10 de novembro, 1.497 filiados ao PT de Bauru poderão votar em uma das três chapas. As 36 cadeiras do Diretório Municipal serão distribuídas entre membros do três grupos, proporcionalmente ao resultado da eleição. Do Diretório, 10 membros são escolhidos para integrar a Executiva da sigla, da qual participam também o líder da bancada da legenda na Câmara Municipal e o presidente eleito.

Para um presidente tomar posse, precisa ter recebido 50% + 1 dos votos. Portanto, caso nenhum dos três candidatos alcance esse resultado, a disputa segue para o segundo turno, o que nunca aconteceu no PT local.