11 de julho de 2026
Geral

Emdurb cogita obrigar grandes geradores a encontrar destinação própria para o lixo

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 2 min

E se o poder público não se responsabilizasse pelo lixo produzido por grandes geradores? A proposta já é analisada pelo prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) e, segundo o presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), Nico Mondelli, reduziria em um terço o volume de lixo destinado diariamente ao aterro sanitário.

Atualmente, os shoppings, supermercados, clínicas médicas particulares e algumas empresas já contratam o serviço de coleta de lixo da iniciativa privada. A intenção, no entanto, é regulamentar e obrigar restaurantes e estabelecimentos comerciais, por exemplo, a adotarem a prática.

A Emdurb destina 300 toneladas de lixo por dia no aterro sanitário público. Segundo Mondelli, esse número poderia cair para 200 toneladas só com a mudança. Hoje, os geradores que já cuidam de seu próprio lixo produzem, aproximadamente, 40 toneladas diariamente.

“Essa discussão abre horizontes para discutirmos o que é, de fato, a coleta seletiva pública e o que pode ser direcionado pelo próprio setor privado. A visita dos vereadores [ocorrida ontem] pode ser positiva para mostrar, politicamente, a importância de que nosso município tenha uma lei nesse sentido”, afirma Nico.

O presidente da Emdurb diz ainda que a empresa que será contratada pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) poderá nortear essa proposta, mas admite que a transferência de responsabilidade para grandes geradores já poderia ter sido implantada independentemente do plano municipal de resíduos sólidos.

“Acredito que não haveria grandes resistências. O Ciesp de Bauru [Centro das Indústrias do Estado de São Paulo] é nosso parceiro na questão ambiental e já faz um excelente trabalho de conscientização junto às empresas”, pontua.


Critérios

Rodrigo Agostinho é favorável à proposta, que já consta no esboço do plano municipal de resíduos, mas depende de regulamentação municipal. Segundo o prefeito, está em fase de discussão a “linha de corte”, que vai definir o que classifica um estabelecimento como grande gerador de lixo.

“Na maior parte das cidades médias, essa responsabilidade já é das empresas. Esse conceito veio da política nacional. A questão é que precisamos definir quem são os grandes geradores. Não dá para fazer alguém que produz dois sacos de lixo contratar uma empresa para recolhê-los”, argumenta.

Normalmente, a quantidade de lixo produzida diariamente é levada em conta para que as prefeituras decidam se vão ou não recolher os materiais gerados pelas empresas. “Gira em torno de 500 quilos e uma tonelada por semana”.


Alívio

Rodrigo Agostinho afirma que a coleta em empresas sobrecarga a Emdurb e encarece o serviço contratado pela Prefeitura de Bauru.

Segundo o prefeito, existem casos em que um caminho de lixo fica cheio ao recolher o material gerado em apenas um local. “Isso não tem cabimento”, afirma.

A coleta seletiva da Emdurb atua, inclusive, nos distritos industriais, recolhendo o lixo de algumas empresas instaladas nessas regiões. “Mesmo as que fazem destinação adequada dos resíduos industriais, deixam para o poder público o lixo de material de escritório e orgânico”.