Moradores de Iacanga (50 quilômetros de Bauru) estão revoltados com as frequentes interrupções no serviço de telefonia na cidade. Ontem, das 10h às 14h, os celulares e aparelhos fixos estavam mudos e muitas pessoas ficaram sem Internet. Comerciantes que trabalham com disque-entrega reclamam de prejuízos. Até mesmo prefeitura e delegacia da cidade ficaram incomunicáveis.
De acordo com o funcionário público estadual Cláudio Roberto Dariva, que mora em Iacanga, mas trabalha em Bauru, o problema é antigo. “Depois que a Vivo assumiu a Telefônica, começaram a ocorrer problemas bem frequentes. Os telefones ficam mudos. Tanto telefones comuns, fixos, quanto os móveis, celulares, ficam sem sinal nenhum. Chegou a ficar um dia e meio”, conta.
Ele diz que, durante certo período, o sistema de telefonia passou a funcionar normalmente, mas, na semana retrasada, “chiados” impediram que ele ouvisse quem estava do outro lado da linha. Segundo o funcionário público, os telefones começaram a ficar mudos na semana passada e, ontem, ele não conseguiu telefonar para nenhum aparelho móvel ou fixo de Iacanga das 10h às 14h.
“Eu tentei ligar em casa umas 15 vezes no fixo e tentei ligar no celular da minha esposa. Em Bauru funciona, mas, em Iacanga, você não consegue falar em lugar nenhum”, afirma. “Para a gente é um transtorno porque, muitas vezes, tem uma emergência, a gente precisa falar com alguém da família e não consegue”.
O comerciante José Paulo Vicente Junior reclama dos prejuízos gerados pela falta de sinal de telefonia. Ele é dono de uma farmácia e recebe solicitações para a entrega de medicamentos. Já a mãe dele é proprietária de um restaurante que entrega marmitas. Sem poderem receber os pedidos, eles têm as vendas comprometidas. “É como se aqui fosse uma ilha, isolada do resto”, declara.
De acordo com o comerciante, o problema ocorre, em média, três vezes por mês e afeta os telefones e a Internet. “É o transtorno de a gente pagar e não ter (o serviço)”, pontua. Ontem, ele revela que ficou sem qualquer comunicação até por volta das 15h. “Às vezes, tem uma farmácia mais perto de um determinado local e a pessoa, ao invés de ligar e pedir, vai na farmácia mais perto”, explica.
Até mesmo a prefeitura e a delegacia de Iacanga ficaram incomunicáveis ontem por cerca de quatro horas. Segundo o assessor de imprensa do Executivo, Luiz Fabiano Apolinário, as oscilações ocorrem pelo menos uma vez por semana e acabam comprometendo o funcionamento de serviços públicos.
O outro lado
Em nota, a Telefônica Vivo informou que o serviço de telefonia móvel dos clientes de Iacanga foi normalizado às 13h. De acordo com a empresa, alguns usuários podem ter encontrado dificuldades para fazer e receber ligações a partir das 10h devido à queda de energia elétrica que afetou temporariamente um dos equipamentos responsáveis pelo serviço.
“Assim que o problema foi detectado, a companhia mobilizou equipes técnicas para normalizar a situação no menor prazo possível. A empresa informa também que mantém a Central de Atendimento 103 15, que funciona 24 horas, 7 dias por semana”, declarou. Apesar de questionada, a Telefônica Vivo não se manifestou sobre interrupções anteriores.