08 de julho de 2026
Geral

Falta d?água segue até final de 2013

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

Quioshi Goto

'Vou trabalhar para resolver as deficiências, mas não posso prometer nada' - Giasone Cândia, presidente do DAE

Ao menos até o final de 2013, as falhas no abastecimento de água continuarão provocando transtornos aos bauruenses. É o que reconhece - e adianta - o presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE), Giasone Cândia, que completou, há uma semana, oito meses à frente da autarquia.

E, com a chegada do verão, quando cresce o consumo de água, os problemas, infelizmente, tendem a aumentar. A situação crítica só deverá ser minimizada para parte da cidade no final do ano, para quando está prevista a inauguração do Poço Roosevelt 3, em substituição ao Poço Roosevelt 2, que apresenta problemas em sua estrutura e será desativado.

Assim, a capacidade de produção será aumentada dos atuais 76 mil litros por hora para 200 mil litros. De acordo com Cândia, será o suficiente para normalizar o abastecimento aos cerca de 20 mil moradores da região noroeste da cidade, que inclui os bairros Fortunato Rocha Lima, Parque Jaraguá, Parque Santa Edwirges, Jardim Petrópolis, Parque Roosevelt, Jardim Progresso, Gerson França, Parque União, Jardim Rosa Branca e Jardim Vânia Maria.

Até o final do ano que vem, há ainda a previsão de perfuração de mais seis poços artesianos. Para tentar dar fôlego ao orçamento, o presidente adiantou ontem, em entrevista concedida no JC, que a tarifa de água deverá aumentar em novembro. A autarquia informa ainda que haverá corte de 12 cargos de comissão e estabelecimento de limite para a realização de horas extras.

Apesar das medidas, o presidente não se compromete a operar milagres. “Vou trabalhar para procurar resolver as deficiências, mas não posso prometer nada para ninguém”, diz. Leia os principais trechos da entrevista.

JC - Quando o Poço Roosevelt 3 começa a funcionar?

Cândia - A empresa já está licitada e a assinatura do contrato deve acontecer na semana que vem, se toda a documentação for apresentada. Após a assinatura, o poço começa a funcionar em 60 dias, para resolver o problema mais crítico de abastecimento da cidade, que está naquela região.

JC - Há previsão para perfuração de novos poços ainda neste ano?

Cândia - Depois de uma licitação fracassada em junho (por não haver empresa que oferecesse o preço mínimo estabelecido), abrimos um novo processo para perfuração de um poço na zona norte da cidade. A previsão é de que comece a funcionar até o início do ano que vem. Ele também terá vazão de 200 mil litros por hora e vai abastecer os bairros Nova Bauru, Pousada da Esperança 1 e 2, Vila São Paulo, Jardim Ivone, Quinta da Bela Olinda, Distrito Industrial 4 e Jardim TV.

JC - Os sete poços que foram perfurados neste ano (quatro deles com recursos da iniciativa privada) não deram conta da demanda, conforme previu a administração municipal?

Cândia - Eles amenizaram os problemas enfrentados em várias partes da cidade. Para 2014, há previsão de perfuração de mais cinco poços, nas regiões do Val de Palmas, Jardim TV, Consolação, Villagio 4 e Padilha, inicialmente com recursos próprios do DAE.

JC - Há um plano para solucionar, de maneira definitiva, o problema crônico de falta de água em Bauru?

Cândia - A falta d’água ocorre, também, porque cidade cresceu muito nos últimos anos. O setor imobiliário teve um desenvolvimento jamais visto. Algumas construtoras fazem doação de poços como contrapartida, mas não é o suficiente. A falta de investimentos na rede vem de décadas, por problemas de gestão que não são de agora. Vou trabalhar para procurar resolver as deficiências, mas não posso prometer nada para ninguém.

JC - Quantos poços e reservatórios seriam necessários para dar conta de toda a demanda?

Cândia - Ainda não é possível dizer. Contratamos um estudo para elaborar o Plano Diretor de Água para os próximos 20 anos. O levantamento deve ficar pronto em 12 meses, com custo de R$ 1,3 milhão, para apontar soluções para o sistema de abastecimento, envolvendo mananciais, captação, reservação e distribuição.

JC - Por que o projeto enviado ao Ministério das Cidades para pleitear financiamento para construção de poços e reservatórios não foi priorizado pelo prefeito?

Cândia - O projeto prevê a perfuração de 10 poços artesianos e cinco reservatórios, num investimento de R$ 22 milhões. Em princípio, a intenção era solicitar financiamento junto ao Ministério das Cidades, mas o limite de crédito da prefeitura já está no limite, embora o DAE tenha recursos para pagar. A prioridade de financiamento da prefeitura, agora, é para pavimentação de ruas e pagamento da dívida da Cohab. Uma saída para o DAE seria pleitear a liberação de recursos a fundo perdido.

JC - Com a chegada do verão, os problemas de desabastecimento devem se agravar?

Cândia - É uma tendência, porque o consumo aumenta.

JC - As casas abastecidas pela água captada do rio Batalha (38% da cidade) também podem sofrer com desabastecimento?

Cândia - O nível do Batalha continua normal. Mas os moradores que recebem água do rio podem ficar sem água por problemas de queima de bombas devido à oscilação de energia elétrica ou por rompimento de adutoras. A rede é antiga e não tem como ser substituída, porque faltam recursos. Precisaríamos ainda construir uma nova ETA (Estação de Tratamento de Água) ou reformar a existente, mas também não há dinheiro para isso.

JC - Há previsão de aumento na tarifa?

Cândia - Sim. A nossa água é uma das mais baratas do Estado. E vale lembrar que 40% do que é arrecadado vai para o Fundo de Tratamento de Esgoto. Já temos guardados R$ 73 milhões, dinheiro que poderá utilizado, inclusive, para complementar os R$ 118 milhões que foram liberados pelo governo federal para assegurar o tratamento de esgoto em Bauru. O reajuste da tarifa é necessário para sobrar recursos para investimentos na rede de água e ainda está sendo calculado. Deverá ser definido em novembro e ficar entre 9% e 12%, um pouco acima da inflação.

JC - Quais outras medidas estão sendo adotadas?

Cândia - Muitos funcionários do DAE chegavam a fazer mais de 100 horas extras por mês. Por recomendação do Tribunal de Contas, a partir de agosto, eles poderão fazer, no máximo, 60 horas extras - e vamos tentar reduzir o limite para menos do que isso. Hoje, a folha de pagamento do DAE compromete cerca de 35% do orçamento da autarquia. Até o final do ano, também por orientação do tribunal, iremos extinguir 12 cargos de comissão do DAE.