09 de julho de 2026
Geral

?A cidade fica deste tamanhinho?

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Passa das 11h da manhã.  O menino de 9 anos Paulo Henrique Mendes Guimarães acena para os familiares.  Protegidos do sol no hangar do Aeroclube de Bauru a turma corresponde ao cumprimento do menino como uma torcida de time de futebol. “É a primeira vez que você voa?”. O garoto me pergunta para quebrar o gelo. “Sou torcedor do São Paulo”. Responde Paulo Henrique sorrindo ao ouvir que o repórter que o acompanhará em seu primeiro voo também é são-paulino.

 

Ricardo Santana

Hangares do Aeroclube e o Cessna que levou Paulo Henrique para seu primeiro voo

“O voo de hoje então será dedicado aos são-paulinos.” Decreta a experiente piloto Amel Sayed El Attar. Ela anuncia que das 11h às 16h com as condições do tempo quente é preciso atenção com os urubus que surfam nas térmicas que dão a Bauru o título de “A capital nacional do voo à vela”.


 Amel taxia o avião para a cabeceira da pista do Aeroclube de Bauru. Recebe o “Ok!” da torre. O Cessna PT-IHX rasga um terço de pista e ganha altura suave.  O olhar de encantamento toma conta de Paulo Henrique.  “A cidade fica deste tamanhinho.” Com o gesto aponta o vão entre o indicador e o polegar como o tamanho que vê do céu as casas e prédios de sua cidade.


O avião faz uma longa curva. Passa pelo colosso de prédio da Noroeste, na praça Machado de Mello, o conjunto de galpões da estrada de ferro e logo sobre a rodoviária.


Paulo captura tudo na retina. O Parque Vitória Régia ganhando pintura nova. Correlaciona a fumaça no meio do cerrado a um incêndio na faixa de floresta preservada entre a rodovia Marechal Rondon e o campus da Unesp. Observa os casarões nos condomínios da Zona Sul. Percebe o momento em que Amel apruma o bico da aeronave para iniciar a manobra de aterrissagem.


“Bonita.” É assim que o aluno do quinto ano da Emef Professora Claudete da Silva Vecchi define Bauru vista lá do alto.  “Nossa tampou o ouvido”, comenta antes de sair a aeronave e comemorar com a família.



Histórias para contar


Paulo Henrique Mendes Guimarães é recepcionado no hangar pelo avô Darci Morais de Carvalho, o pai Paulo Sérgio Guimarães, a irmã Lorena Mendes Guimarães, a mãe Dalva Mendes Camargo Guimarães e a avó Irene Mendes Camargo. Ao ver a euforia do filho ao retornado do céu seu pai Paulo Sérgio Guimarães dispara: “Para o Paulo foi uma experiência da hora.”


Ontem, um grupo de estudantes de duas Emefs da rede municipal de ensino de Bauru desfrutou do voo panorâmico como prêmio do projeto “Bauru nas Alturas”. “Eu fiz uma redação na escola e eu vou ganhar.” Com essas palavras dona Irene se recorda que, dias atrás, o neto Paulo Henrique comentou do concurso de redação que contemplou 144 alunos, entre as turmas do quinto ano de cada uma das 16 escolas de ensino fundamental da rede municipal. Os voos seguem até 14 de dezembro. O tema das redações “O Dia a Dia de Nossa Cidade e sua História” amplifica o conteúdo da disciplina de história já estudado pelos alunos. A diretora da Divisão de Ensino Fundamental da Secretaria Municipal de Educação Simone Teresa Teixeira Cassitas observa que anteriormente os alunos fizeram um passeio denominado Pontos Culturais pelas imediações da rua Batista de Carvalho para identificar prédios e pontos históricos de Bauru.  “Tem também o aspecto transformador que estimulo o conhecimento e aprendizagem”, reflete a educadora. Além dos premiados da Emef Prof ª Claudete da Silva Vecchi, do Parque Viaduto, voaram ontem estudantes da Emef Alzira Cardoso, do Jardim Chapadão. O assessor do gabinete da Prefeitura de Bauru Alex Gasparini, um dos coordenadores do projeto, diz que a perspectiva é de ampliar o “Bauru nas Alturas” em 2014. Ele define que os estudantes adquirem outra perspectiva da cidade. O projeto conta com patrocínio das empresas Supermercados Tauste, Unimed e Simão Concessionária e parceria do Aeroclube de Bauru.