09 de julho de 2026
Polícia

Adolescente é detido após apontar laser contra helicóptero da PM

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Um adolescente foi detido após direcionar um apontador laser por diversas vezes contra o helicóptero Águia da Polícia Militar (PM), que auxiliava em uma operação realizada anteontem em alguns bairros de Bauru. O jovem foi localizado e encaminhado à Central de Polícia Judiciária (CPJ) para se explicar.


A operação, segundo o capitão da PM Fabiano de Almeida Serpa, visava abordagens a veículos, bloqueios relâmpagos e saturação, feita no bairro Ferradura Mirin.


A ação começou por volta das 16h e terminou às 21h. No total, foram fiscalizados 45 motos e 34 carros. Uma mulher foi flagrada dirigindo um automóvel sem habilitação e um motociclista tentou fugir da blitz por estar sem documento da moto.


No entanto, o caso mais inusitado teria sido a atitude do adolescente. Enquanto o Águia sobrevoava os pontos da operação, que contou com o apoio de 15 viaturas, sendo cinco da equipe de Força Tática e cinco da Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (Rocam), o jovem apontava o laser - cujo feixe tem a capacidade de emitir até seis quilômetros de distância - contra a aeronave, em uma tentativa de desviar a atenção ou até mesmo atrapalhar o trabalho da polícia.


Em seguida, ele foi localizado em sua residência e levado à CPJ, onde, acompanhado da mãe, prestaria depoimento. O equipamento (laser) foi apreendido.


Ainda de acordo com o capitão Serpa, ao agir desta forma, o adolescente teria cometido crime de atentado contra aeronave.

 

Fácil acesso e prejudicial

O apontador de laser é um equipamento adquirido facilmente no comércio e usado com frequência contra veículos, populares e até mesmo contra aeronaves. A luz que o feixe emite prejudica a visão de forma instantânea.


De acordo com o capitão da base patrulha aérea de Bauru, Ângelo Pereira Simões, existe um formulário elaborado pela aeronáutica, o qual especifica que o tripulante pode fazer a inserção no registro de incidentes ocorridos durante o voo. “Neste caso, o piloto ainda não fez a notificação e nem sempre é feita. Em Bauru, só neste ano, foram registrados dois casos: um em janeiro e o outro em agosto”, afirma o capitão.


O capitão alerta à população em relação a brincadeiras com apontador laser. “É uma situação preocupante. Em vários países é considerado crime, mas no Brasil ainda não”.


No entanto, um documento da aeronáutica diz que, quando ocorre infração que exponha perigo a embarcações ou aeronaves, o ato deve ser inibido por meio da lei. “O laser ofusca a visão do piloto, que pode demorar muito tempo para recuperá-la 100%, principalmente à noite”. “Isso pode ocasionar um acidente”, finaliza.


Na página do JCNet no Facebook, uma leitora comentou que já foi prejudicada por conta do laser, em um ponto de circular. A “brincadeira” resultou em consulta com um oftalmologista. O médico teria dito que, por pouco, ela não perdeu avisão.  


Segundo o capitão Simões, será instaurado inquérito para apurar o caso do adolescente detido anteontem. A pena para esse tipo de infração varia de 2 a 5 anos quando não ocorre o acidente, e de 4 a 12 anos quando há acidente.


Curiosidade


Apontador laser, também chamado de caneta laser, é um dispositivo portátil (opera com bateria como sua fonte de energia) que emite radiação de baixa potência.


Em alguns países, a venda é proibida. As cores mais comuns do laser são azul, verde e vermelho. Porém, o verde é a cor mais complexa e brilhante, devido à grande sensibilidade do olho a frequência de 520-570 nanometros. Existe também o infravermelho que tem seu feixe invisível.


Não é indicado que a pessoa olhe diretamente para o laser. Há o risco de perda de 50% da visão.


Apontadores de lasers também são usados em armas para facilitar a mira do atirador, principalmente em locais escuros. Geralmente estão em pistolas ou em submetralhadoras. O laser mais usado em armas é o infravermelho.