09 de julho de 2026
Internacional

ONU e líderes europeus elogiam acordo

Por Agência Brasil | Reuters
| Tempo de leitura: 4 min

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas ONU), Ban Ki-moon, e os governos de França, do Reino Unido e Alemanha saudaram ontem o acordo entre os Estados Unidos e a Rússia para eliminação das armas químicas sírias. Ban Ki-moon  manifestou esperança de que o acordo conduza “a esforços para acabar com o terrível sofrimento” da população síria e ajude a implementar uma solução política para a crise.


Também o chefe da diplomacia francesa, Laurent Fabius, elogiou o acordo fechado pelo secretário de Estado americano, John Kerry, e pelo ministro das Relações Exteriores da Rússia, Segei Laprov, em Genebra, na Suíça, classificando-o de “um passo importante”.


O ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, William Hague, publicou no Twitter mensagem de apoio ao acordo. “Falei com o secretário de Estado John Kerry. O Reino Unidos saúda o acordo Estados Unidos-Rússia sobre armas químicas na Síria. Agora deve ter lugar o trabalho urgente na sua implementação”, escreveu Hague na rede social.


Da mesma forma, o governo alemão elogiou o acordo e manifestou confiança no surgimento de oportunidades para uma solução política do conflito. “Saúdo o acordo para o controle, sem demora, do arsenal químico da Síria”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros, Guido Westerwelle. “As palavras” devem agora ser seguidas por “atos”, destaca comunicado do ministro.


O acordo fechado pelos Estados Unidos e a Rússia ontem para eliminação do arsenal químicas da Síria dá uma semana ao governo de Bashar Al Assad para apresentar a lista dessas armasl além de prever a adoção de uma resolução da ONU que trata do uso da força.


Segundo a ONU, o conflito na Síria, onde a contestação popular ao regime degenerou em guerra civil, fez mais de 100 mil mortos desde 2011 e perto de dois milhões de refugiados, que têm sido acolhidos sobretudo na Jordânia, Turquia e Líbano.

 

Centenas de refugiados sírios chegam à costa italiana

Centenas de refugiados sírios foram resgatados do mar agitado e levados para a costa sul da Itália nas últimas 24 horas, disse a guarda costeira italiana ontem. Três barcos trazendo 809 refugiados e, possivelmente, alguns imigrantes, incluindo muitas mulheres e crianças, foram interceptados nas ilhas mediterrâneas de Lampedusa e Sicília e na região da Calábria, no dedo do pé da Itália.


Um barco com 171 refugiados estava com problemas e afundando aos poucos quando foi resgatado a cerca de 40 km da Calábria, informou a guarda costeira. Todos os 359 refugiados resgatados em Siracusa, na Sicília, e os 171 resgatados na Calábria pareciam ser da Síria, disseram as autoridades italianas, enquanto que a nacionalidade dos resgatados em Lampedusa ainda não foi divulgada.

O número de refugiados sírios que chegam à Itália tem aumentado constantemente nos últimos meses, e a ONU estima que 3,3 mil chegaram desde o início de agosto.


Mais de 2 milhões de refugiados já fugiram da guerra civil da Síria, principalmente para os vizinhos Iraque, Jordânia, Turquia e Líbano, de uma população total de cerca de 20 milhões. Estima-se que o conflito, que já dura dois anos e meio, já matou mais de 100 mil pessoas.


Milhares de imigrantes e refugiados tentam chegar às costas do sul da Itália no verão do Hemisfério Norte, quando as águas do Mediterrâneo são calmas o suficiente para que pequenos barcos façam a travessia, geralmente da Líbia ou Tunísia.


Embora a maioria venha da África subsaariana, esse ano muitos estão fugindo da guerra civil na Síria ou da turbulência política no Egito e em outras partes do norte da África. Muitos são atraídos pela esperança de encontrar trabalho na Europa e muitas vezes não ficam na Itália.


Imigrantes ilegais interceptados pelas autoridades italianas são levados para centros de imigração estatais. Alguns fogem dos edifícios, normalmente pouco vigiados, para procurar trabalho, e aqueles que permanecem e não podem provar que são refugiados políticos são enviados de volta para casa.

 

Rebelde sírio diz que acordo prejudica a oposição

O líder da oposição síria, chefe do Conselho Militar Supremo, disse ontem que o acordo entre Estados Unidos e Rússia para eliminar as armas químicas do regime é um golpe contra a revolta de dois anos e meio que tenta derrubar o presidente Bashar al-Assad.


O general Selim Idris disse que o acordo permitirá que Assad se livre da prisão pelas mortes de centenas de milhares de civis no ataque químico em Damasco em 21 de agosto. Assad negou ser responsável pelo ataque.


O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, e o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, anunciaram neste sábado um acordo para remover as armas químicas da Síria depois de aproximadamente três dias de conversas em Genebra.


Idris disse que as forças de Assad começaram a mover algumas de suas armas químicas para o Líbano e Iraque nos últimos dias para evitar a possibilidade de uma inspeção da ONU. A informação não pôde ser verificada.


“Dissemos a nossos amigos que o regime começou a mover parte de suas armas químicas para Líbano e Iraque. Dissemos para eles não se enganarem”, disse Idris a jornalistas em Istambul.


“Toda essa iniciativa não nos interessa. A Rússia é um parceiro do regime na matança da população síria. Um crime contra a humanidade foi cometido e não há nenhuma menção de responsabilização.”