08 de julho de 2026
Saúde

A busca exagerada pela beleza


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Em primeiro lugar, acredito que não existe uma definição de beleza. Muitos dizem que é a harmonia e a perfeição de formas, um tema recorrente desde os tempos mais antigos, como o pré-socrático, onde a beleza era definida de forma matemática, baseada na famosa proporção áurea.

O conceito era caracterizado por uma constante real algébrica observada em algumas partes do corpo humano e principalmente na arte que ditava o que era o belo, como pode ser encontrado na famosa obra de Leonardo da Vinci, Monalisa; ou mais recentemente, quando passam a existir padrões estabelecidos como o "ideal clássico" ou "beleza clássica". Então, dentre as milhares de definições do, talvez, indefinível tema que é a beleza, essa pode ser determinada por algo imposto pela sociedade em que vivemos.
Com essa predeterminação da nossa sociedade, implantada desde a infância nas meninas (as princesas e a Barbie, por exemplo) onde o bom é ser bela, as belas é que são as bem sucedidas. A partir daí, vem junto um bombardeio de tratamentos "milagrosos", cremes que prometem corpos perfeitos, face sem rugas ou manchas, isto é, a verdadeira fonte da juventude, tema de várias discussões, documentários, filmes e debates.

Insatisfação constante

Ainda são oferecidos tratamentos "empíricos", sem nenhum embasamento científico. Porém, o que as mulheres não conseguem vislumbrar é que, quando se jogam de cabeça nesse mundo paralelo da busca exagerada pela beleza, estão fazendo muito mal a si mesmas, pois nunca estarão satisfeitas, deixando a sua autoestima cada vez mais baixa. A mulher acaba virando escrava da busca pelo ideal imposto pela sociedade, não medindo forças para conseguir o que seu imaginário está buscando.

E é aqui que entra o nosso papel, que tem como formação a medicina acima de tudo e que lida com a beleza no seu cotidiano. É nesse momento que é necessário escutar os anseios de nossas pacientes, sim, porém não executar tudo que elas nos pedem, e, ainda, explicar as limitações que existem. A nós cabe manter o equilíbrio e mostrar o melhor caminho para que as pacientes não caiam em ciladas.

É nossa obrigação do profissional saber oferecer para o paciente um tratamento onde ele possa "envelhecer" com saúde, um envelhecimento natural, controlado, não causando prejuízos para sua imagem, como acontece na busca constante pela juventude.

Acredito que o tratamento para evitar o aparecimento dos sinais do tempo devem ser iniciados desde muito jovem, quando os ventos conspiram a favor. Para isso, há intervenções menos agressivas para todas as idades (peelings, toxina botulínica, hidratação intradérmica, blefaroplastia etc), além de hábitos saudáveis diariamente, como a ingestão de bastante água, atividade física e alimentação saudável.

Portanto, não devemos esquecer que a busca pela beleza pode ser alcançada com um conjunto de mudanças no cotidiano e não passam necessariamente por procedimentos milagrosos como muitas vezes são propostos.


Márcio Castan é cirurgião plástico, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e pós-graduado em dermatocosmiatria.