08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Receita de calamidade


| Tempo de leitura: 2 min

O gestor público não deve empenhar-se em oferecer banheiro público para a população, mesmo porque o ser humano quase não usa banheiro. Principalmente as mulheres, quando das necessidades fisiológicas, que se lasquem.

O gestor deve persistir na brilhante conduta de oferecer cada vez menos conforto a todos, ignorando as demandas mais fáceis de serem resolvidas, como, por exemplo, não disponibilizar nem carrinhos para transporte de bagagem nem sala de espera na rodoviária, pois trata-se de coisas que cada qual se vira como pode, uma vez que carregar peso, passar frio e continuar num desconforto permanente é de somenos importância.

Seu dever é continuar tendo ideias brilhantes no intuito de oferecer cada vez mais comodidade aos munícipes. Um exemplo de ideia brilhante são esses pontos de ônibus que já vêm com duas placas de publicidade acopladas nas laterais, justamente para interromper o fluxo de pedestres pelo espaço mais sagrado que temos, que são as calçadas. Tais placas, ocupando mais da metade da calçada, que o pedestre ocupe as ruas para caminhar, e dispute as ruas com os carros. Diga-se que nossos desgovernantes ignoram que a população cresce e as calçadas continuam do mesmo tamanho.

Tais eleitos, visando o bem-estar do povo, deve priorizar o asfalto e deixar para outro dia, outro ano, outra década, outro século, a preocupação com a construção de postos de saúde, prontos-socorros, hospitais e escolas. Que os contatos políticos e reuniões nunca tenham como pauta o tema saúde. Que se gaste muito tempo em tais reuniões para tratar apenas de novos voos políticos, em detrimento das demandas sociais.

Contrariar sempre os sábios, ignorando os segundos e minutos e só atentar para as horas. Realmente, coisas pequenas, miúdas, não merecem mesmo atenção, como se não fizessem parte de algo maior, positivo ou negativo. E eis que um dia, de repente, se nos apresenta algo acabado, pronto e a que chamaremos "calamidade". O espantoso é que agem como se não soubessem de onde vem. A miríade de pequenos erros, erros que foram se juntando com o passar do tempo, e para os quais, faltando sensibilidade, experiência, responsabilidade, honestidade, não se deu atenção, transformou-se.

Julio Diogo