10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Edison Gasparini, anistiado político brasileiro


| Tempo de leitura: 2 min

Mais de 49 anos após ter seu mandato cassado pela Câmara Municipal e de ter sido demitido dos quadros funcionais da Prefeitura de Bauru, onde exercia as funções de caixa e praticamente 30 anos após sua morte, o ex-vereador e ex-prefeito bauruense Edison Bastos Gasparini, foi, no dia de anteontem, declarado anistiado político pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, em Brasília. Reconheceu a relatora do processo, conselheira Luciana Silva Garcia, a insana perseguição movida contra Gasparini pela Frente Anti Comunista, a FAC, que depois do Golpe Militar de 1º de Abril de 1964, durante muito tempo, o procurou de forma incessante por toda a cidade e região, disparando rajadas de metralhadora nos locais onde entendia que o popular "baixinho" pudesse estar escondido, deixando claro que a intenção era matar e não prender o então vereador.

Muito mais que a reparação econômica, conseguida por sua viúva, Darci, a decisão de quinta-feira da Comissão de Anistia, repara moralmente a memória de Gasparini, muito embora o povo bauruense tenha respondido à sua perseguição por parte da polícia política e da FAC, com apoio e votos, afinal manteve-o como vereador durante 23 anos e de nossa Câmara Municipal somente saiu quando eleito prefeito nas eleições de 1982, pelo PMDB.

Determinou o destino que não governasse nossa cidade, acometido de grave moléstia logo após as eleições, acabou por ficar poucos meses à frente da municipalidade, licenciando-se em julho de 1983, para não mais retornar. Faleceu em 1º de Novembro de 1983, aos 49 anos de idade, deixando como herança principal uma trajetória de lutas coerente e, sobretudo, de ética e moral, no trato com as coisas públicas.

Eram 14h55 da tarde de anteontem, quando a Sueli Bellato, vice-presidente da Comissão de Anistia, declarou Edison Bastos Gasparini anistiado político brasileiro e solicitou que transmitíssemos à sua família, e em especial à sua viúva, Darci, que, em nome do Estado, solicitava desculpas formalmente pelos sofrimentos ocasionados à sua família em decorrência da perseguição política. Não poderíamos, pela figura histórica que Gasparini representou e representa para história de nossa cidade, transmitir este recado pessoalmente ou por telefone, solicitando licença ao JC para transmitir este recado por suas páginas. Devagar e muitas vezes com morosidade, a real história brasileira ocorrida durante os regimes ditatoriais vai sendo recontada.

Antonio Pedroso Junior, o Chinelo