08 de julho de 2026
Ciências

PIB não é Prosperidade! Sabia?

Alberto Consolaro
| Tempo de leitura: 3 min

Prêmios Nobel são entregues anualmente desde 1901 no dia 10 de dezembro, aniversário do idealizador. Quando os suecos resolveram criar o equivocadamente chamado “Prêmio Nobel da Economia” junto com os verdadeiros Prêmios Nobel, houve, e ainda há, muita crítica.


O Banco Central da Suécia instituiu e concede o “Prêmio de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel” desde 1969, um eufemismo com qual a Fundação e a família Nobel não concordam, embora controlem e fiscalizem o cumprimento das regras pelos comitês das cinco áreas que elaboram as listas de indicações para o prêmio, sem participar da escolha.


Os prêmios são custeados pelos rendimentos oriundos de Alfred Nobel e recursos privados, mas o de Economia é doado pelo Banco Central Sueco com recursos públicos de mesmo valor financeiro dados aos premiados da fundação, em torno de um milhão de euros, para que as pessoas fiquem estudando e pesquisando sem pensar em dinheiro.


Os prêmios de física, química e o de “economia” são escolhidos pela Academia Real de Ciências da Suécia, o de fisiologia e medicina pelo Instituto Karolinska e o da Paz pelo parlamento norueguês. Ganham ainda uma medalha de ouro cunhado com a efígie de Alfred Nobel, além de um diploma condecorativo. Alguns querem ganhar pelo dinheiro, outros pela fama e prestígio. É Freud sempre presente!


Analistas, especialmente políticos, adoram escrever que não consideram a economia uma ciência, mas uma atividade mística que tenta “adivinhar” os rumos do mercado, principalmente quando as coisas não evoluíram como eles queriam: para o bem ou para o mal!



E o seu PIB?


O produto interno bruto representa a soma dos valores de bens e serviços finais produzidos em um período, sendo um dos principais indicadores da atividade econômica. O PIB por cabeça foi o primeiro indicador para analisar a qualidade de vida. Países podem ter um PIB elevado, como a China e Índia, mas o PIB per capita é muito baixo. Suíça, Noruega e Dinamarca têm PIB moderado, mas o per capita é alto.


Índices como distribuição de renda e de desenvolvimento humano revelam o bem-estar das pessoas. PIB não considera qualidade, nem pequenos negócios e serviços não formalizados. Também ignora danos ao meio ambiente e efeitos sociais negativos como poluição, perda de biodiversidade e lazer. PIB não é indicador de longo prazo, mas do momento sem garantias de crescimento mantido ou distribuído pela sociedade. PIB aumenta e a maioria dos cidadãos pode ficar mais pobre, pois não considera a desigualdade.


Na China a renda per capita equivale à metade da brasileira e vai demorar duas décadas para igualar. Cada chinês ganha 15% do norte americano. Um brasileiro ganha a soma de 7 indianos! De nada adianta aumentar o PIB se a renda per capita estagnar. Com 2% de PIB ao ano, vamos ganhar por pessoa 50% do que ganha um norte americano no final do século; atualmente ganhamos 25%.



Prosperidade x PIB


No livro “Prosperity without Growth” (Prosperidade sem Crescimento) Tim Jackson, professor da Universidade de Surrey, afirma: prosperidade relaciona-se com bem estar, comida, moradia, dignidade, identidade, previdência e segurança. A busca desenfreada pelo PIB alto já provocou muitos danos ao planeta, mas o que importa é o tipo de sociedade que queremos. Adiantaria crescer com florestas destruídas, solo exaurido e mudanças climáticas caóticas?


Se os países ricos crescerem 2% de PIB anual com renda per capita de U$50 mil e, se quisermos estender isto aos 9 bilhões de humanos, a economia em 2050 será 15 vezes maior. O planeta não aguentaria e teríamos apenas catástrofes. Se quisermos que todos ganhem até U$20 mil per capita, alguns pobres podem crescer, mas os desenvolvidos devem parar de crescer. Tudo para salvar o planeta com prosperidade e não PIB alto.


Os desenvolvidos dificilmente aumentarão produtividade, mas podem aumentar a qualidade com investimento e empreendimento dentro dos limites dos recursos naturais. Que controlemos as ambições de ter e passemos aos objetivos de ser!


Alguns dizem que filosofia não é ciência por não ser mensurável, mas a vejo como mãe de todas as ciências. E a economia? Seriam mensuráveis e previsíveis apenas as transações financeiras ou uma economia de vanguarda contemporânea considera o homem como o centro no lugar do lucro! Estariam certos os que criticam a existência do Prêmio Nobel de Economia por não considerá-la ciência?