10 de julho de 2026
Política

Câmara mira falta de água e aumento da tarifa

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Um ano depois, a falta de água volta a atrair os holofotes dos debates sobre a cidade de Bauru. Na campanha eleitoral de 2012, o assuntou pautou a dicussão entre os prefeituráveis em meio à crise. As reclamações voltaram e, segundo o próprio líder do governo na Câmara Municipal, Renato Purini, a situação atual “é muito pior”. Na sessão legislativa de ontem, vereadores cobraram soluções e rechaçaram aumento da tarifa acima da inflação.

Ao Jornal da Cidade, na edição de sábado, o presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE), Giasone Candia, admitiu que o município sofrerá com o desabestecimento até o final deste ano. Já ontem, à rádio Auri-Verde, afirmou que, se conhecesse a dimensão dos problemas da autarquia, não teria aceitado o cargo para comandá-la.

A postura de Giasone foi alvo de críticas de Lima Júnior (PSDB) e Roque Ferreira (PT), além de Purini. O peemedebista disse, na tribuna, que a falta de água se tornou insustentável. “Está um desastre, principalmente nas regiões mais altas”.

De acordo com diversos parlamentares, a situação mais crítica se concentra nos bairros Vânia Maria, Bela Vista, Node de Julho, Parque Vista Alegre, residencial Colina Verde e Jardim Manchester.

Roberval Sakai (PP) lamentou a volta do problema, que deve se agravar com a chegada da primavera e do verão, quando aumenta o consumo de água. “A reclamação é muito grande. Uma moradora do Santa Edwirges me contou que faltou água em todos os dias da semana na casa dela. No domingo, a situação não foi diferente”.

Natalino da Pousada (PV) relatou que tem recebido número recorde de manifetsações em seu gabinete por conta da mesma situação.

Segundo Renato Purini, a situação é ainda mais delicada porque os cidadãos cobram deles – vereadores – a solução para a falta de água. “Dizem que eu sou amigo do prefeito e preciso resolver”.

O líder governista disse ainda que, aos finais de semana, a população não tem conseguido acionar o serviço 0800 do DAE. “A gente orienta o pessoal a ligar, mas ninguém atende”.

Parlamentares dizem ainda que há menos servidores da autarquia trabalhando aos finais de semana para, entre outras atividades, consertar vazamentos. A redução seria motivada pela necessidade de reduzir os gastos com hora extras, medida apontada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE).


Há soluções?

Na entrevista concedida ao JC, Giasone Candia aposta na inauguração do poço Manchester 3 para amenizar o abastecimento. A autarquia também debe licitar novo poço para a zona norte.

Renato Purini cobrou alguma medida em caráter urgencial do DAE. José Roberto Segalla (DEM) voltou a dizer que o governo Rodrigo Agostinho priorizou o asfalto à água.

O vereador leu trechos da entrevista em que o presidente diz que a autarquia não dispõe de recursos apra modernizar a rede de água nem viabilizar nova estação de tratamento no rio Batalha.

Lima Júnior cobrou um Plano Municipal de Saneamento, exigido desde 2007. “Mas eles não conseguem nem fornecer água para a população. Até inauguram poço que não funciona”.

Roque Ferreira pontuou que cabe ao Poder Executivo demonstrar qual é a real situação do sistema de abastecimento e apontar soluções.


Contra o aumento

Os vereadores criticaram duramente a intenção do governo em aumentar a tarifa da água acima da inflação. Ao JC, Giasone Candia afirmou que a elevação poderia chegar a 12%. Ontem, no entanto, Rodrigo Agostinho (PMDB) admitiu algo em torno de 10%. (Leia acima)

Roberval Sakai (PP) disse que a medida é inadmissível em meio à crise. “A população já paga. Agora precisa receber a água. Essa não é a hora para isso”.

José Roberto Segalla (DEM) lembrou que a inflação estimada para este ano é de 5,8%. “Querem cobrar o dobro”.

Em novembro do ano passado, o prefeito determinou aumento de 9% na tarifa da água.

Hoje, às 9h30, o DAE apresenta o Plano Plurianual (PPA) para os anos de 2014 a 2017. Além da autarquia, foram convocadas para a audiência as secretarias de Cultura, Obras, Planejamento e Administrações Regionais, além da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb).