09 de julho de 2026
Nacional

Denúncia de espionagem não prejudicará leilão de Libra, diz ANP

Por Julia Borba | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

A diretora-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo), Magda Chambriard, disse nesta terça-feira (17) que todos os dados usados para licitar o campo de Libra são públicos e, por isso, a licitação não será afetada por denúncias de espionagem.

"Fiquem absolutamente tranquilos. A licitação é publica e nós trabalhamos com dados públicos e não exclusivos. Eles estão disponíveis com igualdade de oportunidade a todas as empresas ou participantes interessados", afirmou.

Segundo a diretora-geral, desde o anúncio desta licitação, em 25 de junho, 18 empresas já adquiriram o pacote de dados técnicos da área.

"Já as empresas associadas têm esses dados desde 2010, porque a ANP não trabalha qualquer licitação usando dados privados. Apenas públicos", reforçou. "A área de Libra, por definição, usa dados públicos".

Magda Chambriard explicou que os dados sigilosos surgem apenas quando as empresas petroleiras fazem interpretações sobre os dados brutos oferecidos. "E com isso nós não trabalhamos", disse Magda.

"Os interessados têm até amanhã, 18 de setembro, para se manifestar e dizer que irão participar. Todos têm a nossa garantia de que haverá igualdade de oportunidade", concluiu.

Segundo a agência, ao menos dez empresas já confirmaram a participação no certame. A previsão é que mais grupos o façam até o prazo final, incluindo companhias chinesas.

Hackers

Magda Chambriard, disse hoje, que o banco de dados da agência para exploração e produção de áreas ou poços de petróleo não fica conectado à internet, portanto, que não permite acesso de hackers ou espionagem.

"Nosso banco de dados não está conectado à internet. Para roubar essas informações é preciso que haja um espião paranormal", brincou Magda.

Segundo ela, todos os dados coletados pela ANP ou pelas empresas petrolíferas são armazenados e preservados. Além disso, apenas informações brutas são arquivadas, sem que haja qualquer interpretação dos dados feita pelo corpo técnico da agência.

Só informações públicas -como as que já venceram período de confidencialidade- são oferecidas ao público ou à empresas do setor, seja pela agência reguladora ou por meio de empresas específicas e autorizadas a fazer essa comercialização.

"Disponibilizamos dados públicos para usuários associados, que assinam conosco um termo de acesso; para usuários eventuais, ou seja, qualquer cidadão brasileiro ou empresa constituída pela Lei brasileira. Esse acesso também é permitido e gratuito para universidades", explicou.

Segundo a diretora geral da ANP, na área do pré-sal, a maior parte dos levantamentos não são exclusivos, ou seja, podem ser comercializados pela agência ou por empresas autorizadas.

"O que muda nesses casos é a interpretação sobre os dados oferecidos, que é exclusiva de cada companhia", disse Magda.

Dos dados que a ANP mantém em seu acervo estão: dados geológicos, geofísicos, levantamentos terrestres, perfis de poços de exploração e amostras coletadas em poços brasileiros.

"Os dados confidenciais nós guardamos a sete chaves", reforçou.

Logo depois da exposição sobre a segurança das informações na ANP, na comissão audiência conjunta da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado e CPI da Espionagem, Magda mostrou ainda uma foto da sala cofre da agência, no Rio de Janeiro, que guarda parte dos documentos sigilosos e disse que o local é a prova de "incêndio, inundações e outras ameaças".