09 de julho de 2026
Regional

Pescador é salvo após 11 horas no rio

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Aceituno Jr.

Ronaldo de Melo e Ernesto Soares foram resgatados após naufrágio

Um pescador de 65 anos foi resgatado ontem de manhã após ficar cerca de 11 horas agarrado a uma boia de sinalização no rio Tietê, em Pongaí (100 quilômetros de Bauru). Ele estava com dois amigos em um barco, que virou durante vendaval. Um deles, que é socorrista, conseguiu nadar até a margem e pedir ajuda. O terceiro está desaparecido. Por causa do mau tempo, as buscas foram interrompidas por volta das 17h e só serão retomadas hoje pela manhã.

O acidente ocorreu anteontem, por volta das 19h. Os amigos Ernesto Antunes Soares, de 65 anos, Ronaldo de Melo, de 38 anos, e Milton Cândido, 47 anos, o “Tuta”, saíram para pescar de barco no rio Tietê, na zona rural de Pongaí, quando foram surpreendidos por um forte vendaval. Eles tentaram retornar, mas o barco acabou virando.

Ronaldo, que estava sem colete, agarrou-se a um galão de água, nadou três horas por cerca de quatro quilômetros até uma das margens e acionou a Polícia Militar (PM). Ele disse à polícia que ouviu o pedido de socorro dos amigos, mas não pôde ajudá-los. O Corpo de Bombeiros de Lins foi acionado, mas interrompeu as buscas por causa do mau tempo.


 

Malavolta Jr.

Os três amigos pescavam no rio Tietê, quando ocorreu um vendaval e virou o barco

“Água violenta”

O filho de Ernesto, Carlos Auberto Ferreira Soares, 38 anos, contou que, quando soube do acidente, por volta das 23h, reuniu um grupo para tentar achar o pai e o amigo dele. “Nós procuramos a noite inteira até 3h da manhã, só que a água ficou muito violenta, muito brava, e nós tivemos que sair. Nós ficamos no barranco e, às 6h, colocamos os barcos de novo na água e fomos atrás deles”, afirma.

Ele não soube descrever o que sentiu ao reencontrar o pai com vida. “Eu nem sei dizer para você qual a sensação. Eu só sei que foi Deus. A gente tem Deus no coração e só Ele mesmo para acertar uma situação dessas”, declara. “Eu admirei a força dele. Ele foi muito forte para aguentar todo esse tempo dentro daquela água, com aquele vento gelado. Foi um presente que Deus deu para nós e a gente só tem que agradecer”.


“Deus ajuda”

Apesar da chuva e vento forte, amigos e familiares de “Tuta” e Ernesto se mobilizaram e, divididos em quatro barcos, iniciaram as buscas pelos dois. Segundo a PM, o trecho onde ocorreu o acidente tem cerca de quatro quilômetros de uma margem a outra. A ‘operação’ avançou a madrugada e, por volta das 6h30, Ernesto foi encontrado pelo irmão e por um amigo agarrado a uma boia de navegação, no canal do rio. Já Milton não foi localizado.

No início da tarde, enquanto descansava e recebia a visita de amigos em casa, Ernesto conversou com a reportagem e afirmou que o colete ajudou a salvar sua vida. “Eu sempre vou pescar de colete. Não fico sem colete de jeito nenhum”, revela. “A gente sabe nadar um pouquinho mas, na hora (do desespero), parece que Deus ajuda e a gente nada bastante porque eu fiquei das 19h até às 6h de hoje (ontem) dentro da água”.

O aposentado conta que tentou manter a calma enquanto esperava ajuda. “Eu só pensava em Deus e em Nossa Senhora Aparecida e rezava. Nós estávamos em três e todos os três afundaram. Ninguém pôde socorrer ninguém. Cada um saiu para um canto. Eu e um companheiro (Ronaldo) saímos, mas o outro companheiro não acharam até agora”, lamenta. “Eu cheguei, tomei uns remédios e estou bem, graças a Deus”.