08 de julho de 2026
Nacional

PSB anuncia saída do governo Dilma

Por Ranier Bragon e Natuza Nery | Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Tradicional parceiro do PT nas disputas nacionais, o PSB anunciou oficialmente na tarde desta quarta-feira (18) a entrega dos cargos que possui no governo Dilma Rousseff, que incluem o ministério da Integração Nacional e a Secretaria de Portos. O partido afirmou ainda que o apoio ao governo no Congresso será discutido caso a caso.

Arquivo Reuters

A atitude é uma resposta a recentes ataques do PT

A atitude é uma resposta a recentes ataques do PT e representa o primeiro passo concreto da candidatura presidencial do governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos (foto), que deve ser oficializada em março.

A pedido do ex-presidente Lula, com quem Campos conversou para comunicar a decisão, o governador marcou para hoje uma audiência com a presidente Dilma Rousseff para oficializar o desembarque.

A decisão foi anunciada após reunião de emergência da Executiva do PSB, realizada em Brasília. O estopim para o desembarque foi a avaliação de que a cúpula do PSB ficaria refém de críticas de fisiologismo.

O partido considera que o PT e integrantes do governo Dilma são os responsáveis por alimentar noticiário contra o partido, na linha de que o PSB, apesar de ensaiar a candidatura de Campos, não abria mão dos cargos na Esplanada dos Ministérios.

"Estávamos chegando a uma situação que beira a humilhação. É uma decisão madura de um partido que quer discutir livremente sua candidatura, sem ter que ouvir toda semana baboseiras e constrangimentos de integrantes do PT e do governo sobre cargos", afirmou o deputado Beto Albuquerque (RS), líder do partido na Câmara, segundo quem o governo Dilma está autorizada a demitir todos os ocupantes de cargos federais indicados pelo partido.

Ainda segundo ele, o PSB espera que o PT "seja correto", aja com reciprocidade e devolva os cargos que possui nos seis Estados governados pelo PSB --Pernambuco, Ceará, Paraíba, Piauí, Amapá e Espírito Santo. "Amigável ou não, é um divórcio."

A saída do governo já havia sido acertada ontem, quando o governador de Pernambuco desembarcou em Brasília. À noite, ele comunicou a decisão a Lula, que ainda tentava articular a manutenção do PSB e de Campos na órbita do governo federal.

Um dos principais aliados do governo Dilma dentro do PSB, o governador Cid Gomes (CE), presente na reunião da Executiva, manifestou oposição à ruptura, que disse considerar "intempestiva" nesse momento, mas, segundo relatos, afirmou que "assinava embaixo" a entrega de cargos caso essa fosse o entendimento da maioria da legenda. A Bahia também se declarou contrária à saída do governo.

O clima entre o PT e o PSB já não era dos melhores havia algum tempo. Na semana passada, Dilma e os integrantes de seu conselho político informal chegaram a discutir a expulsão do PSB da Esplanada, mas Lula acabou conseguindo barrar essa movimentação. Antes Dilma já havia comentado com assessores ter sido uma provocação a foto em que Eduardo Campos aparece, sorrindo, ao lado do oposicionista Aécio Neves (PSDB-MG), outro virtual candidato à Presidência em 2014.

Na reunião, vários socialistas criticaram o ministro Aloizio Mercadante (Educação), apontado com o interlocutor de Dilma nas ameaças de expulsar o PSB da Esplanada dos Ministérios.

Indicado por Campos para o cargo, o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, estava na reunião e deve deixar o cargo. Leônidas Cristino (Portos), afilhado de Cid Gomes (PSB-CE), está em viagem ao exterior, mas Cid afirmou no encontro que ele também deve sair.

Nono partido da Câmara dos Deputados, com 25 cadeiras, e oitavo no Senado, com 4 vagas, o PSB diz agora que discutirá o apoio do partido ao governo no Congresso caso a caso, em uma posição de independência. "Não vamos ser oposição radical, esse nunca foi o nosso papel", afirmou Beto Albuquerque.

Nos últimos tempos, porém, a posição da legenda já tem sido mais na linha da independência. Na noite de ontem, por exemplo, o partido de Eduardo Campos liberou sua bancada a votar como quisesse na análise do veto da presidente Dilma ao fim da multa de 10% sobre o FGTS pago pelos empregadores ao governo em caso de demissão sem justa causa. O veto acabou sendo mantido pelo Congresso.

Apesar do discurso de independência, o clima na reunião foi de muitas críticas ao PT e a Dilma. "Ela [Dilma] é uma excelente figura humana, mas é uma péssima política. Ela era é a tal gestora, mas tal gestora está vendo que gestão política, uma coisa não bate com a outra. Mas é até injusto cobrar dela. É aquela coisa, bananeira não dá laranja", disse o deputado federal Márcio França (SP).

De acordo com a última pesquisa do Datafolha, Campos tem 8% das intenções de voto no cenário mais provável hoje, contra 35% de Dilma.