08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Sinhô


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Conhecem José Barbosa da Silva, compositor, letrista e instrumentista, nascido no rio de Janeiro em 8 de setembro de 1888? Ele faria 125 anos neste dia 8. Mais conhecido como "Sinhô", faleceu na mesma Cidade Maravilhosa em 4 de agosto de 1930. Viveu numa época em que o samba era banalizado pela elite carioca e sambista era sinônimo de malandro, vagabundo ou bandido! Que preconceito inútil! O mestre Alfredo da Rocha Viana Filho, nosso inesquecível Pixinguinha, o descreveu como um "mulato alto, magro, feio e desdentado, que era elegante à sua maneira, sempre de paletó, gravata-borboleta e chapéu gelo.

Suas composições quase desconhecidas por falta de divulgação num país sem memória cultural são "O pé de anjo", "Fala meu louro", "Burro de carga" e outras. Todavia, o nosso representante maior do pagode, Zeca Pagodinho, gravou uma obra-prima do mestre Sinhô, um maxixe intitulado "Jura" ? " Jura, jura, jura pelo Senhor, jura pela imagem da Santa Cruz do Redentor, pra ter valor a sua jura..." (lançado em 1928).

Outro belo maxixe foi "Gosto que me enrosco" (também de 1928 ) ? "Não se deve amar sem ser amado, é melhor morrer crucificado, Deus me livre das mulheres de hoje em dia, desprezam o homem só por causa da orgia..." Assim foi "Sinhô", representante da cultura simples, mas rica, da noite boêmia do Rio. O maxixe foi um ritmo-canção que nasceu no Rio de Janeiro em 1870, concomitantemente com o tango na Argentina e no Uruguai. Podemos considerar o maxixe um precursor do nosso samba. "Sinhô", pouco lembrado, mas nunca esquecido pelos historiadores, ajudou a criar e valorizar, junto com tantos outros grandes artistas, os primórdios de nossa música mais popular, o samba, a batucada...

Fernando Lucilha Júnior