09 de julho de 2026
Polícia

Homem é morto após briga em biqueira

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

João Rosan

Rastro de sangue seguia por duas quadras

Um rastro de sangue que seguia por duas quadras. Era isso que separava o corpo de Márcio Rogério Batista de Jesus, 35 anos, e a casa abandonada onde ele foi esfaqueado, no Jardim das Orquídeas, região do Núcleo Geisel, em Bauru. De acordo com a polícia, a vítima foi atacada por Renato Lopes Balarin, 30, após uma briga no imóvel usado como biqueira. O acusado já está preso. Trata-se do 24º homicídio do ano.

O corpo de Marcinho  foi encontrado na calçada da quadra 1 da rua Alexandrino Rodrigues, na manhã de ontem, por um pedestre que passava pelo local e acionou a Polícia Militar (PM) e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

O homem, que, segundo a polícia, era usuário de crack e tinha passagens por roubo, havia levado dois golpes de faca no pescoço e outros dois no tórax.  Em princípio, constatou-se que nenhum pertence da vítima teria sido levado, o que descaracteriza a hipótese de latrocínio.

Foi então que os policiais percorreram o rastro de sangue que ia em direção ao imóvel, localizado na quadra 7 da rua Lúcio Luciano. “A equipe seguiu marcas de sangue pela rua e chegou até a casa abandonada, onde havia uma grande poça de sangue. Acreditamos que ele tentava chegar até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Redentor para pedir ajuda”, avalia o tenente da PM Tiago Santos.

Ainda no local, familiares da vítima chegaram e reconheceram o corpo. Eles apontaram um homem e uma mulher que, provavelmente, estariam na biqueira junto com Marcinho. O sobrenome “Balarin” já foi aventado neste momento.

No imóvel abandonado, a Polícia Civil encontrou uma testemunha que teria visto Renato Balarin durante a madrugada. “Ela disse que estava com medo de morrer. “Então, nós a colocamos no programa de proteção à testemunha e ela contou que o Branquinho (apelido de Renato) mostrou a faca e disse que tinha arrancado o bucho de um homem”, explica o delegado Kleber Granja.

Faltava, porém, as pessoas que estariam na casa no momento do crime. Foi então que a polícia localizou uma das testemunhas presenciais. “Esse usuário contou que, na casa abandonada, estava o Renato, o Marcinho, uma outra mulher e ele em volta de uma fogueira. Essa mulher teria chutado a fogueira e acertou o Márcio. Nisso, ele teria ficado nervoso”, aponta o delegado.

Nesse momento, Renato Balarin, que é namorado da mulher que chutou a fogueira, teria “comprado” a briga e atacado Márcio. “Foi então que ele desferiu os golpes de faca no Marcinho”.


Prisão

Em patrulhamento, a PM localizou Balarin, que também já tem passagens por roubo, com sua namorada, nas proximidades de onde o assassinato ocorreu. Ela confirmou toda a história já ouvida anteriormente pelos policiais.

A Polícia Científica foi acionada e se dirigiu até a casa do acusado, que fica a duas quadras de onde Marcinho foi esfaqueado. Na residência de Renato Balarin, foi encontrado um tênis lavado, uma camiseta e uma bermuda com gotas de sangue. “Pedi um exame de DNA para comprovar a autoria do crime”, destaca o delegado Kleber Granja.

Outro indício estava na sola do tênis do acusado. Lá, havia cinzas de carvão, coincidindo com a versão das testemunhas sobre a fogueira.

Mesmo com os indicativos de sua autoria, ele negou ter cometido o crime. Ontem, em depoimento, confirmou que estava na biqueira, entretanto, alegou ter saído do local antes de Marcinho ter sido esfaqueado.

Diante de todas as provas, o delegado autuou Renato Lopes Balarin em flagrante por homicídio qualificado por motivo fútil. “Também estou elaborando o pedido de prisão preventiva dele”, completa.

Quioshi Goto

Quioshi Goto

A vítima, Márcio Batista de Jesus

O acusado, Renato

Lopes Balarin