09 de julho de 2026
Internacional

Governo Sírio entrega dados sobre armas

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

A Síria apresentou ontem em Haia alguns detalhes sobre seu arsenal químico, mas ainda precisa preencher lacunas até a semana que vem para iniciar um rápido processo de desarmamento que evite uma intervenção militar dos Estados Unidos.

Uma porta-voz da Organização para a Proibição das Armas Químicas, órgão que supervisionará a neutralização do arsenal, disse: “Recebemos parte da verificação, e esperamos mais”.

Ela não disse o que faltava no documento, que um diplomata da Organização das Nações Unidas descreveu como “bastante longo”. O Conselho Executivo da Opaq, com 41 membros, deve se reunir no começo da semana que vem para analisar a declaração síria e definir a implementação de um acordo selado na semana passada por EUA e Rússia, prevendo a eliminação completa do arsenal em nove meses.

O acordo previa que até o final desta semana a Síria deveria apresentar um relatório completo sobre as armas químicas em seu poder. Especialistas dizem que o governo sírio possui cerca de mil toneladas de gás mostarda, VX e sarin - o agente que inspetores da ONU disseram ter sido usado no ataque de 21 de agosto contra subúrbios de Damasco dominados por rebeldes.

O secretário norte-americano de Estado, John Kerry, conversou por telefone ontem com o chanceler russo, Sergei Lavrov, e concordou em manter a cooperação dos dois países “não só rumo à adoção das regras e regulamentos da Opaq, mas também de uma resolução que seja firme e forte dentro da ONU”.

Um diplomata ocidental alertou que, se Assad não prestar conta de todo o arsenal que se suspeita existir, as potências mundiais buscarão uma ação do Conselho de Segurança da ONU que o obrigue a isso.

Marie Harf, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, disse que o governo norte-americano o vai examinar o material, pois “uma lista precisa é vital para assegurar a implementação efetiva”.

Os EUA e seus aliados dizem que o relatório divulgado nesta semana por inspetores da ONU não deixa dúvidas de que o governo de Bashar al Assad foi o responsável pelo ataque de 21 de agosto, que matou centenas de pessoas. Assad, no entanto, diz que o ataque foi cometido por rebeldes sírios, e sua aliada Rússia afirma que a responsabilidade não está esclarecida.

Mesmo assim, o governo sírio aceitou o plano para abrir mão do arsenal químico e evitar o ataque norte-americano. Damasco também anunciou a intenção de aderir à Opaq.

A direção da Opaq deve aprovar o plano Lavrov-Kerry numa reunião no começo da semana que vem, e depois disso o Conselho de Segurança da ONU deverá dar seu aval ao arranjo, que representa um raro consenso na comunidade internacional em dois anos e meio de guerra civil síria.

Mas a Rússia, que tem poder de veto, continua se opondo a tentativas ocidentais de aprovar uma resolução que ameace explicitamente a Síria com punições, conforme previsto no artigo 7.º da Carta da ONU. Moscou diz que só se não houver cooperação de Damasco aceitará discutir formas de coagir a Síria.


Confronto é a saída

A oposição ao regime de Bashar al-Assad na Síria não aposta em solução política a curto prazo e defende que o conflito armado ainda é a principal saída.  É o que afirma o sírio Walid Saffour, 62 anos, presidente do Comitê de Direitos Humanos na Síria e embaixador no Reino Unido da Coalizão Nacional Síria, a principal força de oposição ligada aos rebeldes. “O regime de Assad está nos matando, não temos outra maneira de nos defender. Não temos outra opção, é o único caminho (o conflito)”, diz Saffour.