Com o início da terceira Revolução Industrial no século XX, deu-se um grande avanço na microeletrônica, química fina, robótica, engenharia genética e nanotecnologia. A partir de 1947, com a invenção do microchip, foi se criando aparelhos eletrônicos mais sofisticados, computadores mais potentes e com isso a vida passou a ser cada vez mais corrida e dependente da tecnologia. A vida estressante das grandes cidades passa agora para a população interiorana, começando assim uma grande aceleração da destruição material e cultural. Com a vida agitada e fascinada pelos aparelhos eletrônicos, os cidadãos do século XX em diante não mais se preocuparam em olhar o mundo ao seu redor. Hoje vemos cada vez mais a nossa história sendo deixada de lado, nosso patrimônio Artístico Cultural esquecido. Estamos abandonando os nossos modos de fazer, verdadeiros tesouros que estão se perdendo no tempo e no espaço, perdemos nosso sentimento de patriotismo, de gratidão com nossa terra e com nosso povo.
Quem já parou para pensar nossa história? Quem já se indagou sobre o nome de uma rua? Quem já refletiu sobre um monumento de nossa cidade? Nossa história está sendo contada através de cada monumento, nossas ruas homenageiam verdadeiros heróis de nossa cidade, marcos importantes de nossa história. Será que estamos sabendo cuidar de nosso Patrimônio? Antes vamos entender o que é Patrimônio Artístico e Cultural. Para entendermos melhor esse termo, vamos retomar o projeto de lei criado pelo célebre escritor Mário de Andrade, que diz: "Entende-se por Patrimônio Artístico Nacional todas as obras de arte pura ou de arte aplicada, popular ou erudita, nacional ou estrangeira, pertencentes aos poderes públicos, e a organismos sociais e a particulares nacionais, a particulares estrangeiros, residentes no Brasil." Note-se que a palavra arte, no caso, teria um significado amplo, explica: "Arte é uma palavra geral, que neste seu sentido geral significa a habilidade com que o engenho humano se utiliza da ciência, das coisas e dos fatos". Mário, já nessa época, queria resguardar nosso Patrimônio Cultural em sua totalidade. Em nossa sociedade hoje vemos pouca preocupação com nosso Patrimônio Histórico e Cultural ou o vemos cuidado por poucos em museus, que tornam os bens em fragmentos, ou seja, são bens fora de seu contexto, que não contam a história em sua totalidade.
Em nossa cidade, infelizmente, a realidade é a mesma, vemos uma população desinteressada pela nossa história, acredito que não seja pelo fato de não querer saber, mas sim por sermos vítimas de um sistema capitalista perverso que nos tira o foco de quem somos e nos leva para o quanto produzirmos um sistema onde "deus" é o dinheiro, onde o que nos interessa é apenas o lucro, passamos por cima de tudo para conseguirmos ganhar sempre mais.
Outro fator é o de vivermos em uma população desigual sócio-econômica e o sentimento de inferioridade por parte das pessoas que criaram um falso preconceito de que preservação cultural é para classe superior, intelectuais. Por fim, o pior dos fatores é o triste fato de termos na educação um sistema precário que não dá o real valor que nosso patrimônio merece como afirma Maria Cecília Fonseca em seu livro Patrimônio em Processo, pág.43.
"[...] a escola cumpre muito precária e limitadamente uma de suas funções principais, que é a de formar cidadãos com uma base cultural comum, e onde o hábito de consumo de bens culturais é incrivelmente restrito."
Perdemos completamente o sentimento de patriotismo, que todos nós deveríamos ter com nossa nação, com nosso povo, com nossa história.
Por fim, termino meu texto com um trecho de Carlos A. C. Lemos, escrito em seu livro ?O que é Patrimônio Histórico?, edição 2010, p. 28: "É dever de patriotismo preservar os recursos materiais e as condições ambientais em sua integridade, sendo exigidos métodos de intervenção capazes de respeitar o elenco de elementos componentes de Patrimônio Cultural. É dever, também, de patriotismo preservar o saber brasileiro fazendo com que os conhecimentos de fora o valorizem em vez de o anularem [...]."
Fábio G. dos S. Maria - Estudante de História pela Universidade Sagrado Coração