10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Ponto de vista sobre exclusão social


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Li um artigo datado de 15 de março de 2006, escrito por Rattner, neste o autor pontua sua visão sobre a exclusão social e as políticas de inclusão. Faz uma retrospectiva histórica para entendermos como chegamos ao patamar atual. Rattner aponta algumas propostas que poderiam ser alicerces no combate à exclusão social em nosso país. Compactuo com algumas colocações do autor, e neste artigo imprimo o meu ponto de vista que a princípio, pode parecer pedante para quem entende muito sobre o assunto, mas que a meu ver, mesmo não sendo especialista no caso posso opinar, pois esse é um direito que tenho como cidadã brasileira.

Rattner afirma que a inclusão social só será viável quando os excluídos conseguirem recuperar sua dignidade, autoestima e identidade de pertencer a um grupo social organizado. Já existem algumas ações que vão ao encontro desta verdade, mas não há bolsa família, cesta básica e ONGs capazes de resgatar e até mesmo fazer "nascer" essa dignidade uma vez que os excluídos já parecem nascer desprovidos de tais sentimentos.

A meu ver muitas ações propostas hoje são paliativas, quando deveriam ser preventivas, já que, a exclusão é algo já instalado na sociedade e de difícil solução. Pensemos nela como uma doença crônica, sua cura é impossível, porém com um trabalho árduo e preventivo é possível exterminá-la em longo prazo. O autor cita uma tendência reformista baseada na educação das massas. Uma grande maioria da população ao ouvir falar em educação logo vem a sua mente a institucionalizada e conteúdista, esquecem-se de que o acesso a cultura é um instrumento muito importante que faz parte da educação. No entanto, como falar em educação para o excluído quando este não tem ânimo nem para se levantar da cama para ir á escola? Como uma família significará a educação se ao se olhar no espelho vê em sua aparência a própria impossibilidade?

Acredito que a inclusão social realmente pode acontecer se a dignidade e autoestima desta grande maioria da população forem resgatadas, e para isso é preciso uma distribuição de renda mais igualitária e uma educação que atenda ao indivíduo em todos os aspectos que o desenvolva enquanto sujeito pertencente não a um grupo social, mas a uma sociedade.

Vivemos em uma sociedade capitalista na qual é utopia pensar que outras ações isoladas poderiam solucionar o que seria talvez o maior dos problemas sociais do nosso país. Não basta qualificar governante e líderes, é necessário que estes juntamente com toda sociedade e ao mesmo tempo cada indivíduo tenham um olhar mais humanizado para a sociedade e para o outro com atitudes éticas.

Uma educação verdadeira só contribuirá para tirar as vendas dos olhos dos excluídos fazendo com que vejam no espelho de suas vidas não mais a imagem da insignificância, da incapacidade, da impotência, do abandono à própria sorte, mas essa educação proporcionará a descoberta de um indivíduo capaz de lutar pelos seus direitos usando a arma mais eficiente no combate de todas as lutas que é o conhecimento, pois o conhecimento é a libertação de todos os grilhões, sejam eles de gênero, etnia, classe social e outros. Então, fica a pergunta: será que a educação a qual a população excluída está sendo submetida é pertinente para os interesses da maioria da sociedade?

Gilmara Marques Said