Em seu discurso à 68ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, o presidente dos EUA, Barack Obama, convocou o mais poderoso órgão da entidade, o Conselho de Segurança, a agir quanto ao confronto na Síria.
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Reuters |
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Barack Obama convocou o Conselho de Segurança a agir quanto ao confronto na Síria |
O americano reiterou que prefere uma solução pacífica e uma ação conjunta da comunidade internacional, mas ressaltou que, "sem uma crível ameaça militar (por parte dos EUA), o Conselho de Segurança não se mostrou nem um pouco disposto a agir".
Para Obama, se a Organização das Nações Unidas (ONU) "não conseguir concordar sequer" com a imposição do veto ao uso de armas químicas, ao qual 98% da população mundial se subscreve, "a ONU se mostrará incapaz de proteger até a mais básica das leis internacionais".
Por outro lado, disse o presidente, se bem-sucedida, a ONU mostrará que "as armas químicas não têm lugar no século 21 e que esse órgão se leva a sério".
Numa menção a uma espécie de novo isolacionismo americano, Obama disse que esse é o maior risco que o mundo enfrenta agora.
"O perigo não é uma América que quer tomar todos os problemas para si. O perigo para o mundo é de que os EUA, depois de uma década de guerra e de problemas domésticos, se abstenha, criando um vácuo de liderança que nenhum outro país está pronto para preencher."
"Os EUA precisam continuar engajados", disse Obama, "não só pelos nossos interesses, mas pelos interesses de todos".
Espionagem
Obama falou à assembleia logo após a colega brasileira, Dilma Rousseff, que fez duras críticas ao suposto abuso dos serviços de espionagem americanos que, conforme denúncias, chegaram a mirar as comunicações pessoais dela e os negócios da Petrobras.
Na ONU, Obama reafirmou seu argumento de que é preciso equilibrar as preocupações com privacidade com as preocupações com segurança. "O mundo é mais estável atualmente do que cinco anos atrás", disse, "mas uma olhada nas manchetes de hoje indica que os perigos continuam".
Irã
Falando do ataque químico ocorrido nos arredores de Damasco em 21 de agosto passado, que os EUA atribuem ao regime sírio, Obama citou "os judeus assassinados em câmaras de gás" ao lado dos "iranianos envenenados aos dezenas de milhares".
Essa menção parece um gesto ao presidente iraniano, Hasan Rowhani, com quem o americano se disse "aberto" a encontrar ainda hoje, à margem da Assembleia Geral da ONU.
No discurso, o presidente americano afirmou que sabe que o "histórico difícil" de "profunda desconfiança" que existe entre os dois países "não pode ser superado de um dia pro outro", mas apontou a solução da questão nuclear como um "passo importante".
Obama disse que está claro para os iranianos que os EUA preferem "resolver as nossas preocupações pacificamente", ainda que "estejamos determinados a impedir a bomba".
O americano disse que as recentes declarações de Washington e Teerã quanto ao respeito à regulação de armas nucleares e ao direito dos iranianos de usar energia nuclear pacífica deveriam servir de base para uma resolução sobre a questão. "O status quo só agrava o isolamento."
Não está claro ainda se Obama terá um encontro direto com Rowhani. Conforme a Casa Branca, o americano está "aberto" ao encontro.