A vistoria por técnico do Ministério da Saúde no prédio construído para abrigar a nova sede da Câmara de Agudos (13 quilômetros de Bauru), no último final de semana, não foi suficiente para avaliar se o local tem capacidade e condições de abrigar hospital de caráter regional. Nos próximos dias, o município deverá contratar projeto executivo para saber quais adaptações terão de ser feitas e o valor dessas adequações.
Antes da vistoria, realizada no sábado à tarde, o prefeito Everton Octaviani (PMDB) reuniu-se com vereadores, com o presidente da Câmara Auro Octaviani (PMDB), com o coordenador geral de média alta complexidade do Ministério da Saúde José Eduardo Passos Fogolin e com o secretário de Saúde de Bauru Fernando Monti para discutir a proposta de transformar o imóvel em um hospital “porta-aberta”, de caráter regional.
“Nós não conseguimos ter a dimensão do valor necessário para adequar aquele prédio para transformá-lo em hospital”, revela o chefe do Executivo. “Acordamos que contrataremos um projeto de adequação e, posteriormente, o orçamento, para saber da real viabilidade daquele espaço ser um hospital com leito de UTI”. Segundo Everton, o que está definido é que o espaço será destinado à instalação de um equipamento de saúde.
“Se, porventura, ele não tiver condições de abrigar um hospital, pelo porte ou por ser muito custoso a adequação do prédio, poderá ser um Centro de Diagnósticos com tomografia, endoscopia, ressonância magnética, que também é uma área que a região carece bastante”, afirma. “Outras possibilidades seriam um hospital pediátrico ou centro específico de saúde da mulher. Isso será definido após essa análise da engenharia”.
Além do projeto executivo, o prefeito explica que Fernando Monti irá se reunir com secretários de outras 18 cidades da região para que eles possam elencar as principais demandas de cada um dos municípios na área da saúde, o que ajudará a definir o destino do prédio. A assessoria de imprensa do Ministério da Saúde foi procurada mas, novamente, declarou que não vai se manifestar por não ter recebido documento formal sobre a proposta.
Dúvidas
O presidente da Câmara, Auro Octaviani, confirma que existem dúvidas sobre a viabilidade de instalação de um hospital com 100 leitos no imóvel. “Eles ficaram com dúvidas se realmente caberiam os 100 leitos no prédio”, conta. “Mas nós temos mais 500 metros de área que poderiam ser utilizados para aumentar, se for o caso”.
Ele ressalta que, a partir da elaboração do projeto e da definição de prioridades pelos municípios da região, a cidade poderá definir qual equipamento de saúde será instalado no local. “O Ministério da Saúde entende que, embora haja a falta de leitos, existe muito mais deficiência no atendimento aos casos de média complexidade”, declara.
Ex-presidente contesta valores
A ex-presidente da Câmara de Agudos Neusa Vicente (PPS) contesta o valor de R$ 4 milhões apresentado pelo atual presidente Auro Octaviani (PMDB) para o novo prédio do Legislativo. Segundo ela, durante sua gestão, uma empresa foi contratada após licitação para executar a obra, com acessibilidade, pelo total de R$ 2.540.940,86.
A ex-vereadora conta que pagou doze parcelas de R$ 117.066,95. “Eu tenho que programar só durante o ano. Para o ano seguinte, eu não posso fazer isso”, diz. Ela nega que o valor dos serviços tenha sido orçado em R$ 4 milhões. “Ele (Auro) está fazendo média com a população. Falando isso, ele denigre minha imagem”, declara.
De acordo com Neusa, por ter cerca de 40 mil habitantes, Agudos não comporta hospital com leitos de UTI. “O prédio não foi programado, construído para uma UTI. Claro que, se pudesse, eu seria a primeira a assinar embaixo”, afirma. “O que ele está fazendo aqui é demagogia porque ele, com certeza, sabe que não pode. Só que, como presidente, ele tem que mostrar alguma coisa para dizer que está lutando para ter uma UTI”.
O presidente preferiu não comentar as declarações da ex-vereadora. Ele, porém, alega que o valor da obra chegou a R$ 4 milhões porque foram incluídos gastos com a fundação, fiação de energia elétrica, encanamento de ar-condicionado, projeto do Corpo de Bombeiros, sete hidrantes, guarita, construção de muro e danos por trincas em um imóvel vizinho.