09 de julho de 2026
Nacional

Dilma busca investidores em NY

Agências
| Tempo de leitura: 3 min

Em um esforço para atrair investidores estrangeiros ao Brasil, a presidente Dilma Rousseff disse ontem em Nova York que os projetos na área de infraestrutura são a grande aposta para o crescimento do País, ao mesmo tempo em que tentou dar garantias sobre a solidez dos fundamentos econômicos do País.

Diante de uma plateia de empresários em um seminário organizado pelo banco Goldman Sachs, Dilma disse que há no País forte demanda por serviços de infraestrutura, rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e energia. Ela também garantiu aos presentes que o governo brasileiro respeita os contratos e reiterou o compromisso de manter a inflação sob controle e o rigor fiscal.

“O Brasil precisa do investimento e da gestão privadas para fazer face ao desafio de atacar os principais problemas logísticos e de energia”, disse a presidente, que garantiu que o programa federal de concessões na área de infraestrutura já está “em ritmo acelerado”.

“Estamos prevendo concessões de 10.000 km de ferrovias, de 7.500 km de rodovias, de 5 aeroportos internacionais, 33 mil MW de energia, três leilões na área de óleo e gás, dois no modelo de concessões e um no modelo de partilha, e diversos programas de mobilidade urbana, metrôs, monotrilhos, VLTs e BRTs, espalhados pelo país”, afirmou.

Dilma disse aos empresários que os investimentos em infraestrutura são a grande aposta de seu governo para impulsionar o crescimento econômico e declarou, durante o seminário, a preferência de seu governo pelo regime de concessões. Ela afirmou, no entanto, que nos casos em que não for possível adotar essa estratégia, o governo poderá recorrer a outras fórmulas, como obras públicas e parcerias públicos privadas (PPPs).

Um dos exemplos dados por Dilma foi a duplicação e gestão do trecho da BR-262 entre Minas e Gerais e Espírito, que chegou a entrar num leilão de concessões de rodovias realizado na semana passada, mas não atraiu interessados. A presidente disse que uma das alternativas em estudo para esta rodovia é a PPP. “O que nós preferimos é a concessão e daremos prioridade ao que pode ser imediatamente concedido”, disse, destacando que além da arrecadação de recursos obtida com as concessões, o governo também procura uma melhor gestão dessas obras.

A presidente e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciaram que o governo vai rever o processo de concessão da rodovia BR-262, que liga Espírito Santo a Minas Gerais, para transformá-lo em uma Parceria Público-Privada (PPP) ou torná-la simplesmente uma obra pública. Mantega anunciou ainda que vai “melhorar a atratividade” das novas estradas a serem licitadas, para atrair mais competidores.

A presidente Dilma, em sua fala, anunciou ainda que novos leilões rodoviários serão feitos “até o final do ano”, sem mencionar lotes específicos.


Mantega: discurso não afeta comércio com EUA

O discurso de anteontem da presidente Dilma Rouseff nas Nações Unidas, crítico à espionagem dos Estados Unidos, não afeta o comércio bilateral, afirmou o ministro Guido Mantega.

“As relações comerciais e financeiras vão muito bem com os EUA. Estamos hoje (ontem) no (banco) Goldman Sachs, ontem (anteontem) fui no Bank of America e também falamos com JPMorgan. As grandes instituições americanas estão presentes nas nossas relações”, disse.

Mantega participou de seminário empresarial no Goldman Sachs, onde se discute as oportunidades em infraestrutura no Brasil com mais de 300 investidores americanos, canadenses e europeus. Também estavam presentes o ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e os presidentes do Banco Central, Alexandre Tombini, e do BNDES, Luciano Coutinho. A presidente Dilma fará o discurso de encerramento.

A ofensiva brasileira ocorre poucos dias após os revezes nos leilões para a concessão do Campo de Libra do pré-sal e de rodovias, que atraíram menos interesse do que o esperado.

O presidente para América Latina do banco americano, Alexandre Bettamio, disse à BBC que o encontro foi realizado por demanda dos clientes. “Há muito interesse no Brasil”, disse.

Mantega defendeu, no vento, que a presença americana financeira e econômica no país só tende a aumentar. “Temos hoje preços competitivos para exportar aos EUA a partir do nosso patamar de câmbio e custo.”