09 de julho de 2026
Polícia

Aeronave fica totalmente destruída

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Éder Azevedo

Da aeronave sobraram dois grandes pedaços, a asa direita e a parte traseira

Um clima tenso e recheado de mistérios reinou no local onde houve um confronto e a queda da aeronave envolvendo policiais federais e traficantes na noite de anteontem em Bocaina (69 quilômetros de Bauru).

A troca de tiros entre policiais e traficantes aconteceu a cerca de três quilômetros do trevo Luiz Fávero, entrada para a cidade, às margens da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-255), distante cerca de 10 quilômetros da área ocupada por moradias.

O monomotor, um Cessna modelo 210, foi encontrado a aproximadamente mil metros da pista clandestina localizada na fazenda Santa Emília, separada pela rodovia.

Da aeronave sobraram dois grandes pedaços, a asa direita e a parte traseira, sem identificação. A frente do monomotor foi destruída e queimada pelo fogo, que se alastrou pela cana.

Éder Azevedo

Policiais vasculharam a região para localizar mais bandidos

O piloto sobreviveu e foi preso horas depois do fato, ferido. Ele está internado no Hospital de Base de Bauru. Para quem viu os destroços, custa acreditar que o único ocupante tenha sobrevivido.

A perícia técnica da PF esteve no local para vistoriar, fotografar e colher dados da aeronave e do local que possam confirmar se ela foi abatida ou se realmente tentou pousar e arremeter antes de cair.

Policiais federais e militares vasculharam toda a região na esperança de localizar os demais envolvidos na ação marginal. Extraoficialmente, sabe-se que os traficantes agiram em terra com três veículos, cada um deles com três pessoas, que somariam nove. Cinco foram presos e quatro continuavam foragidos.

Extraoficialmente, a informação é que a quarta pessoa foi presa ao lado do Jóquei Clube de Jaú, às margens da mesma rodovia, pedindo carona. No posto de combustível, estabelecimento mais próximo do canavial, os funcionários não tinham informações. Segundo um deles, a região não registra pousos nem decolagens constantes, pelo menos no período comercial.

Éder Azevedo

Aeronave caiu em um terreno de 30 metros de largura

Uma autoridade policial que não pode se identificar suspeita que o tiro que matou o agente federal Fábio Ricardo Paiva Luciano foi disparado de um fuzil AR 15, com disparo potente o bastante para atravessar o peito da vítima e não ser contido por nenhum colete à prova de bala.

Porém, uma informação de um agente federal deu conta que a vítima não estaria usando o equipamento no momento da ação. A mesma pessoa disse que o carregamento era de pasta-base de cocaína, fato confirmado pela PF.


Pista

A pista clandestina onde a aeronave iria descer é um terreno de 30 metros de largura por 100 metros de comprimento coberto de braquiária.

Segundo informações extraoficiais, o local é pouco utilizado pelos proprietários das terras para pouso e decolagem de aeronaves com fertilizantes e inseticidas para o cultivo da cana-de-açúcar.


Como foi

Por volta das 21h30 houve um confronto entre policiais federais e traficantes de cocaína. Os agentes – em número não divulgado – aguardavam o pouso da aeronave para surpreender os traficantes que transportavam cerca de 500 quilos de pasta-base da droga. Quando a aeronave estava aterrissando, os agentes foram surpreendidos pelos bandidos. Houve troca de tiros e um agente foi atingido e socorrido para a Santa Casa de Jaú, onde morreu.

A aeronave caiu e pegou fogo. O piloto conseguiu sair do monomotor com vida e, embora ferido, se livrou da prisão naquele momento, mas foi preso na sequência.

Agentes de Marília, Bauru e Araraquara foram chamados e passaram a vasculhar as imediações e conseguiram prender cinco dos nove acusados que iriam resgatar a droga proveniente do exterior, segundo a PF.

Reprodução/TV TEM

Uma metralhadora e duas pistolas foram apreendidas

Armamento pesado

Além da droga que a Polícia Federal disse que provavelmente foi queimada no incêndio da aeronave, os traficantes estavam fortemente armados. Sabe-se que parte das armas foi apreendida, entre elas uma metralhadora importada calibre .50 e duas pistolas calibre .40, além de munições de calibres diversos.

Suspeita-se que o tiro que matou o agente federal seja de um fuzil AR 15. Extraoficialmente, sabe-se que havia uma metralhadora ponto 50 também na posse dos bandidos.  O fuzil AR 15 é uma arma leve dos modernos exércitos que se tornou armamento individual.

A metralhadora ponto 50 é uma arma de guerra que se baseia na versatilidade em combate, por causa da configuração de sua munição, que pode ser perfurante antiblindagem, explosiva e incendiária.