08 de julho de 2026
Polícia

Bocaina: Justiça manda soltar dois

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Reprodução/TV TEM

Piloto da aeronave (à esq.) foi ouvido, mas decidiu falar somente em Juízo

A Justiça Federal de Jaú mandou soltar, ontem à tarde, o piloto do monomotor carregado com cerca de 500 quilos de droga que caiu na última quarta-feira, em Bocaina (69 quilômetros de Bauru). O homem que ajudou a resgatar um dos criminosos também teve a prisão revogada. Os dois estão entre os cinco presos na operação da Polícia Federal (PF) que resultou na morte de um agente federal (leia mais abaixo).

No início da noite, a reportagem tentou falar com o juiz substituto Edevaldo de Medeiros, que teria determinado a soltura dos presos, mas ele não foi localizado no Fórum Federal de Jaú. Funcionários do órgão disseram que não poderiam falar nada sobre a decisão. Em razão do horário, o JC não conseguiu confirmar se os alvarás já haviam sido expedidos e se os dois já haviam deixado a cadeia.

O piloto do avião teve alta ontem de manhã do Hospital de Base (HB) e foi encaminhado à sede da Polícia Federal para prestar depoimento. Segundo o delegado-chefe da PF em Bauru, Carlos Alberto Fazzio Costa, ele não colaborou com a investigação. “Ele se reservou ao direito de permanecer calado e só falar em Juízo. Então, não acrescentou nada para os autos”, afirma.

Com a oitiva do piloto, a PF pretendia esclarecer alguns pontos como o tipo de droga transportada, origem, destino e proprietário. De acordo com Costa, outros dois presos também se mantiveram em silêncio. “Os dois que vieram em apoio (casal) falaram que vieram ajudar um colega, que não sabiam o que tinha acontecido”, conta. Com exceção do piloto e da mulher, os outros três tem passagens por homicídio, receptação, roubo e tráfico.

O delegado revelou que todos são moradores da região de Campinas, menos o piloto, que é brasileiro, mas residia no Paraguai. “Eles foram todos enquadrados por pertencerem a uma organização criminosa. Mas cada um vai responder na medida da sua culpabilidade”.

Segundo o delegado, a PF aguarda os laudos das perícias realizadas no local onde a aeronave caiu e onde o policial federal foi baleado, nas armas e no veículo usado pelos criminosos, além do exame necroscópico. “Agora, é coleta de provas técnicas. As provas testemunhais que nós tínhamos que colher já colhemos no flagrante”, informa. “Nós estamos trabalhando para tentar identificar todo mundo”.


Relembre o caso

O monomotor Cessna, modelo 210, caiu na quarta-feira, por volta das 21h30, às margens da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-255), que liga Jaú a Araraquara, na altura do quilômetro 136. Segundo a PF, ele estava carregado com cerca de 500 quilos de droga, provavelmente pasta-base de cocaína, que acabaram se incendiando.

A quadrilha que aguardava a chegada do entorpecente trocou tiros com policiais federais que participavam de uma operação de combate ao tráfico. O agente Fábio Ricardo Paiva Luciano, 38 anos, lotado na PF de Bauru, levou um tiro no peito, provavelmente de fuzil. Ele foi socorrido, mas morreu no Pronto-Socorro (PS) da Santa Casa de Jaú.

Poucas horas após a queda do avião, a PF prendeu três homens e uma mulher que fariam parte do grupo criminoso, entre eles o piloto da aeronave, que estava ferido. Na manhã seguinte, outro acusado foi preso quando tentava pegar carona na rodovia. Depois de prestar depoimento, todos foram levados para unidades prisionais da região.