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Éder Azevedo |
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Policial federal vasculha canavial onde avião caiu na quarta-feira em Bocaina |
A Justiça Federal reavaliou, ontem à tarde, a decisão do dia anterior que garantiu alvará de soltura para três dos cinco presos na operação da Polícia Federal (PF) realizada na última quarta-feira, quando um agente federal foi morto em Bocaina (a 69 quilômetros de Bauru). A liberdade provisória obtida pelo trio na sexta-feira foi mantida apenas para a mulher envolvida no caso, que já deixou a unidade prisional, em Pirajuí.
Os outros dois que tinham conseguido o mesmo benefício da própria Justiça Federal, sendo um deles o piloto do avião que estaria carregado com cerca de 500 quilos de droga, foram mantidos presos. Até sexta-feira à noite, quando a decisão da Justiça não estava disponível online, informações davam conta de que duas pessoas tinham conseguido liberdade.
O revés se deu com o entendimento do juiz de plantão Marcelo Zandavali, com base em recurso interposto pelo Procurador da República de Jaú Marcos Salati. Por meio de um recurso protocolado pelo Ministério Público Federal (MPF) denominado como sentido estrito, a Justiça Federal pôde reanalisar o caso, sem que a demanda fosse remetida à segunda instância.
O caminho seria trilhado se, no pedido de reconsideração, a avaliação do juiz de Bauru Marcelo Zandavali fosse a mesma do colega de Jaú Edevaldo de Medeiros. O segundo entende, por exemplo, que não há indícios suficientes de que os três presos em questão tenham se associado com quatro ou mais pessoas para cometer crimes.
Já Zandavali analisou de forma contrária, pois além dos quatro veículos que estiveram no local do crime, foram apreendidos vários blackbarry, binóculo de visão noturna e armamento de guerra (como munição ponto 50, capaz de derrubar uma aeronave), como exemplo.
Só ela
No caso da mulher presa pela PF quando estava num veículo com outro homem (que também havia conseguido liberdade) e resgataram juntos um terceiro na rodovia, o MPF não requereu a manutenção da prisão. Ela, porém, terá de comparecer a cada dois meses em juízo para informar e justificar atividades.
Foram mantidos presos o homem que estava com ela no carro e o piloto. Ambos tinham conseguido alvará de soltura. Outros dois homens flagrados na pista próximo ao canavial onde houve o tiroteio já não obtiveram o mesmo sucesso judicial. O JC apurou que os dois que tinham conseguido a liberdade provisória ainda não haviam deixado a unidade prisional quando a decisão foi reavaliada e as prisões, mantidas.
Relembre o caso
O monomotor Cessna, modelo 210, caiu na quarta-feira, por volta das 21h30, às margens da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-255), que liga Jaú a Araraquara, na altura do quilômetro 136. Segundo a PF, ele estava carregado com cerca de 500 quilos de droga, provavelmente pasta-base de cocaína, que teriam se incendiando.
Em pelo menos três veículos, pessoas de apoio de solo que aguardavam a chegada do entorpecente trocaram tiros com policiais federais, integrantes de uma operação de combate ao tráfico. O agente Fábio Ricardo Paiva Luciano, 38 anos, lotado na PF de Bauru, foi baleado no peito, provavelmente atingido fuzil. Ele foi socorrido, mas morreu no Pronto-Socorro (PS) da Santa Casa de Jaú.
Poucas horas após a queda do avião, a PF prendeu três homens e uma mulher que fariam parte do grupo criminoso, entre eles o piloto da aeronave, que estava ferido. Na manhã seguinte, outro acusado foi preso quando tentava pegar carona na rodovia. Depois de prestar depoimento, todos foram levados para unidades prisionais da região.