08 de julho de 2026
Articulistas

Nutrição e academia

Eliane Petean Arena
| Tempo de leitura: 3 min

Uma nutrição saudável e equilibrada é fundamental para quem busca saúde e qualidade de vida e a associação entre a prática regular e orientada de atividade física com alimentação balanceada, permite a obtenção de melhores resultados. A musculação é hoje uma das modalidades de exercício mais praticadas. Atualmente, não somente os jovens são adeptos da modalidade, pois tem sido reconhecida a sua importância para o condicionamento físico de idosos, cardiopatas, portadores de osteoporose e até para crianças, desde que com algumas adaptações e cuidados.

Aliada a uma boa nutrição, o exercício realizado em academia traz diversos benefícios ao organismo, tais como: a redução e a manutenção do peso, o aumento do gasto calórico, a perda de gordura localizada, o ganho de massa muscular, uma maior coordenação motora, a melhora da capacidade cardiorespiratória, a diminuição do estresse, a prevenção e a melhora de várias doenças, tais como a diabetes mellitus, a hipertensão arterial, as doenças cardiovasculares, entre outras.

Mas o praticante de academia precisa ter sempre um programa alimentar personalizado e específico. O mais adequado é que um plano alimentar seja elaborado por um nutricionista após avaliação detalhada da pessoa e a partir de informações fornecidas pelo treinador. Essas informações são usadas na criação do cardápio que deve ter, como ponto de partida, a determinação do gasto energético diário. Sabendo o que comer antes e depois dos treinos é fundamental para ter efeitos desejados.

A maior fonte de energia para o trabalho muscular durante o exercício físico é proveniente da glicose do fígado. Isso ocorre quando estamos fazendo nossa atividade física habitual ou quando um atleta de alta performance está em atividade. Essa utilização dos nossos estoques hepáticos de glicose determina perda de até 50% da reserva de glicose, na primeira hora. A utilização dessa fonte de energia também ocorre, normalmente, durante as nossas atividades da vida diária, inclusive no repouso noturno, o que determina grande perda passiva da glicose do fígado e a necessidade de nos alimentarmos pela manhã, antes de qualquer exercício físico.

Se o maior substrato para o exercício e para a manutenção da atividade cerebral é a glicose, nada mais óbvio do que utilizá-la antes da malhação. Resumindo: a alimentação desempenha papel importante na atividade física pois prepara o organismo para o esforço, fornecendo nutrientes necessários que irão variar de acordo com o tipo de exercício e o objetivo. Alimentando-se de forma correta, a pessoa poderá evitar sintomas nada agradáveis da hipoglicemia (baixa de glicose no sangue), que é caracterizada por mal estar, sudorese fria, palidez cutânea, tremores, palpitações e o vexame de um desmaio durante os treinos. Muitas vezes, os sintomas são mais sutis, como cansaço físico e dores de cabeça.

Geralmente passamos em torno de uma hora em atividade física. Por isso, é interessante consumir alimentos com baixo a moderado índice glicêmico, ou seja, com absorção lenta de açúcares. Os melhores alimentos para isso são os carboidratos ricos em fibras, como pães e massas integrais e cereais matinais. Após a atividade, se é de costume se exercitar pela manhã, é indicado almoço reforçado. A ingestão de cereais integrais, ricos em vitaminas e minerais e com boa quantidade de proteína, é indispensável para repor energias. Antioxidantes, como frutas vermelhas e manga, neutralizam os radicais livres, que no atleta são gerados num nível maior por causa do alto consumo de oxigênio.

Para atividades longas e intensas com mais de 1h de duração, como corrida, futebol, tênis de mesa, podem ser consumidos repositores hidroeletrolíticos durante a mesma para repor estoques de carboidratos perdidos e para que não ocorra interrupção inesperada por fadiga. O importante é nunca se esquecer de que ir à academia em jejum, além de ser perigoso, provoca perda de massa muscular, e isso não é nada positivo pra quem quer emagrecer e se fortalecer com saúde.

A autora, Eliane Petean Arena, é nutricionista - CRN 3267