O ministro das Relações Exteriores da Síria, Walid al-Moualem, comparou ontem o que descreveu como uma invasão de terroristas estrangeiros em seu país aos ataques de 11 de setembro de 2011 aos Estados Unidos.
Em discurso na reunião anual da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York, Moualem também disse que “terroristas de mais de 83 países estão envolvidos na matança de nosso povo e nosso Exército sob o apelo da jihad (guerra santa) global Takfiri (Takfiri se refere ao muçulmano infiel ou não-praticante)”.
A ONU afirma que mais de 100 mil pessoas morreram na guerra civil síria, que já dura dois anos e meio. O levante começou em março de 2011, quando o governo tentou sufocar manifestações pró-democracia. Atualmente mais de metade dos 20 milhões de sírios precisa de ajuda.
“O povo de Nova York testemunhou as devastações do terrorismo e foi consumido no fogo do extremismo e do derramamento de sangue, da mesma maneira que estamos sofrendo agora na Síria”, disse Moualem, referindo-se aos ataques de 11 de Setembro.
“Como alguns países, atingidos pelo mesmo terrorismo que sofremos agora na Síria, podem afirmar que combatem o terrorismo em todo o mundo enquanto o apoiam em meu país?”, indagou.
A missão dos EUA na ONU respondeu com irritação, dizendo que o comentário de Moualem era “tão falso quanto ofensivo”, acrescentando que suas declarações “não têm credibilidade”.
“O fato de o regime sírio ter bombardeado escolas e hospitais e usado armas químicas contra seu próprio povo demonstra que adotou as táticas terroristas que hoje denunciou”, disse Erin Pelton, porta-voz da missão dos EUA.
O governo do presidente Bashar Al-Assad acusa Turquia, Arábia Saudita, Catar, Grã-Bretanha, França e os EUA de armar, financiar e treinar forças rebeldes na Síria.
Moualem descartou a ideia de que haja rebeldes moderados em seu país, que as potências ocidentais dizem ser aqueles que pretendem apoiar.
“As afirmações sobre a existência de militantes moderados e extremistas se tornaram uma piada de mau gosto”, disse ele na assembleia de 193 nações. “Terrorismo é terrorismo. Não pode ser classificado como moderado e extremista.”
Na semana passada, o Conselho de Segurança da ONU obteve um raro momento de unidade a respeito da guerra síria aprovando uma resolução que exige a eliminação do arsenal químico da Síria até meados de 2014. A Rússia, aliada de Assad, também apoiou a medida, baseada em um plano que EUA e Rússia acordaram em Genebra.