08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Valores invertidos


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Sem dúvida, um tema repetido ad nauseaum ao longo dos anos, fruto talvez desse arquétipo de modelo econômico, que já morreu e não sabe, é o manjado perdão que muitas prefeituras do Estado de São Paulo insistem em proporcionar aos seus contribuintes inadimplentes (ou não, quem sabe?), isentando juros e multas incidentes sobre os impostos que não foram pagos em tempo hábil, bem como facilitando em muitas parcelas a quitação dos mesmos.

É claro que o contribuinte sério, íntegro, que paga religiosamente em dia as suas parcelas, jamais poderá ou deverá fugir desse comportamento ético, mas ele realmente sente-se um tanto quanto injustiçado por ver, ao final de cada ano, que aqueles que jamais deveriam ser bafejados pelos ventos da anistia, justamente em virtude de um comportamento no mínimo indecoroso, são "premiados" pelo Executivo, podendo rolar a dívida em parcelas a perder de vista, enquanto que os que corretamente agem são excluídos de quaisquer privilégios, ainda que deles não façam questão e nem precisem.

Assim, chegamos à triste conclusão de que realmente temos dois pesos e duas medidas, aos corretos nada, e aos relapsos a certeza das benesses no apagar das luzes do ano, numa lamentável inversão de valores que com certeza faz corar uma estátua de pedra e ao mesmo tempo fortalece o famoso bordão do jornalista Boris Casoy, pois realmente "isto é uma vergonha"!

Marcos Vieira da Silva - jornalista - Iacanga