09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Desabafo de um Otário


| Tempo de leitura: 1 min

Era uma vez um país que possuía um povo que gostava de festejar. O povo era muito alegre e cada um gostava de contar estórias, ou histórias, onde no fim se saíam melhor que os outros. Todos gostavam de contar que com a ajuda de um conhecido não precisou ficar na fila, que o comerciante devolveu troco errado (a mais), que ele comprou uma antena que não precisa pagar os canais, que ele tem um amigo que ajuda não ter que pagar as multas de trânsito, ou que só na pechincha (conversa) pagou bem mais barato que os outros, etc.

Acabou se tornando uma regra, o objetivo era sempre "levar uma vantagem" sobre o outro, e contar, com orgulho, a todos. Todos se sentiam bem em contar uma estória, ou história, onde ele(s), com sua "esperteza", conseguiam sair "lucrando" sobre outra(s) pessoa(s). Como era uma cultura, os governantes eleitos deste povo também mantinham a mesma conduta de usar a "esperteza" para lucrarem mais e mais sobre o dinheiro dos impostos deste país.

Com o tempo, este país passou a ter um povo alegre com suas festas populares, mas sem escola, sem saúde, sem nenhum serviço público de qualidade, os governantes eleitos cada vez mais espertos em desviar o dinheiro para seus cofres pessoais, e o povo adquiriu uma nova cultura, a de culpar os governantes eleitos por eles como "ladrões". Mas ainda gostam de sempre contar uma estória, história, onde eles levam vantagem sobre outros.

Marcio Henrique Castilho Cardim