O material mais barato que existe na praça
é o professor.
É jovem, não tem experiência.
É velho, está superado.
Não tem automóvel, é um pobre coitado.
Tem automóvel, chora de "barriga cheia".
Fala em voz alta, vive gritando.
Fala em tom normal, ninguém escuta.
Não falta à escola é um "adesivo".
Precisa faltar, é um "turista".
Conversa com os outros professores, está
"malhando" os alunos.
Não conversa, é um desligado.
Dá muita matéria, não tem dó.
Dá pouca matéria, não prepara os alunos.
Chama a atenção, é um grosso.
Não chama a atenção, não sabe impor-se.
A prova é longa, não dá tempo.
A prova é curta, tira as hipóteses do aluno.
Escreve pouco, não explica.
Explica muito, o caderno não tem nada.
Fala corretamente, ninguém entende.
Fala a "língua" do aluno, não tem
vocabulário.
Exige, é rude.
Elogia, é parvo.
O aluno é retido, é perseguição.
O aluno é aprovado, deitou "água benta".
É... o professor está sempre errado, mas se conseguiu ler até aqui, agradeça a ele.
José Eugenio Soares, mais conhecido como Jô Soares
Nilton Bertinotti