09 de julho de 2026
Internacional

Sobreviventes de naufrágio irão para Roma

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Os 155 sobreviventes do naufrágio com um barco de imigrantes que ia da Líbia em direção à ilha de Lampedusa, na Itália, nesta quinta-feira (3), serão transferidos e poderão ficar em Roma.

Quem anunciou a decisão foi o prefeito da capital, Ignazio Marino, dizendo que será uma "honra" acolher os imigrantes e que Roma privilegiará "a cultura da vida ante o crime da indiferença".

"Os 155 sobreviventes serão acolhidos aqui, graças à colaboração do Ministério do Interior", disse Marino. "Não podemos mais assistir a essas tragédias e queremos nos empenhar contra o que o papa Francisco definiu como 'globalização da indiferença'."

Já foram resgatados do mar 111 corpos, mas estima-se que o número de vítimas possa chegar a 300. Hoje, mergulhadores suspenderam as buscas por conta do mau tempo.

O barco de 20 metros levava entre 450 e 500 imigrantes africanos de Misrata, na Líbia, a Lampedusa. Após a embarcação ficar à deriva na noite de quarta-feira por uma pane no motor, os passageiros atearam fogo em roupas e lençóis para chamar a atenção de outros barcos. A fogueira deu origem a um incêndio, que resultou no naufrágio.

A maioria das vítimas, segundo testemunhas, estava coberta pelo combustível do barco -o que dificultou seu resgate. "Eles escorregavam das nossas mãos. Eu agarrei uma mulher mas não consegui segurá-la. Eu assisti ela afundar, exausta, sem gritar, com os olhos pregados em mim", disse o pescador Domenico Colapinto ao italiano "Corriere della Sera".

Crianças

Com a exceção de um imigrante tunisiano, todos os sobreviventes são da Eritreia, segundo o Acnur (agência da ONU para refugiados). Entre eles, estão 40 garotos com idades entre 11 e 17 anos, que viajavam desacompanhados.

"Eles estão traumatizados, assustados e muito preocupados", disse o porta-voz da organização Save the Children Filippo Ungaro à Efe.

A legislação italiana estabelece que os menores devem ser abrigados nos centros habilitados para estes casos. Apesar da obrigação de assistência, não existem bases de dados que registrem os menores.

Lampedusa é, junto com Malta, o principal destino de imigrantes africanos, pela sua proximidade com o norte do continente. Só no primeiro semestre, chegaram 8.400 imigrantes à Itália e a Malta.

A maioria deles pede asilo e não é devolvido ao país de origem por questões humanitárias. "Entre os sobreviventes, a maioria não deve ser devolvida à Eritreia porque precisam de proteção e correm riscos em seu país", disse Barbara Molinario, porta-voz do Acnur em Roma.

Depois de obter o asilo, eles podem até deixar a Itália legalmente, mas não trabalhar em outros países.