10 de julho de 2026
Nacional

Limpeza do Monumento às Bandeiras deve custar ao menos R$ 12 mil

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

R$12 mil. Este é o valor mínimo que pode custar - somente se for contabilizado o valor gasto com solventes - a limpeza do Monumento às Bandeiras pichado duas vezes em São Paulo esta semana.

A escultura do artista Victor Brecheret foi depredada ontem, pelo segundo dia consecutivo, na zona sul de São Paulo. Na oportunidade, o grupo atirou tinta vermelha contra a obra.

Os manifestantes já haviam participado de um protesto na avenida Paulista e tinham combinado de encerrar o ato em frente a escultura, na região do parque do Ibirapuera.

Ao término da manifestação, algumas pessoas "pintaram" o Monumento às Bandeiras e ainda escreveram a mensagem "bandeirantes assassinos" com tinta branca na peça.

A depredação seria um ato simbólico contra a imagem dos portugueses - que na escultura estão representados com barbas longas -, que escravizaram negros, mamelucos e índios, durante as expedições dos bandeirantes no século 17.

Segundo a Secretaria de Cultura de São Paulo, a limpeza deve demorar cerca de uma semana, pois a tinta usada na pichação depende de produtos especiais para ser removida e o tempo chuvoso pode prejudicar o trabalho, pois o solvente dilui em água.

Por meio de nota a pasta disse que a limpeza dos monumentos é realizada dentro do contrato geral de limpeza da cidade, por isso, não há um valor específico apenas para essa manutenção.

O Monumento às Bandeira já tinha sido alvo de pichações na noite de anteontem. Na escultura havia palavras contra a PEC (proposta de emenda à constituição) 215, que transfere a competência da União na demarcação das terras indígenas para o Congresso Nacional e também contra o bandeirantismo.

A pichação foi limpa em um dia com água pela equipe de manutenção da subprefeitura Vila Mariana.

Outros casos

Inaugurada em 1953, no aniversário de 399º anos de São Paulo, a escultura já foi alvo de diversas depredações e manifestações ao longo dos anos. Uma das emblemáticas aconteceu em 1994, quando um grupo de ativistas cobriu com panos brancos o monumento durante o Dia Mundial de Luta contra a AIDS.

Em junho 1996, o Greenpeace colocou máscaras nos personagens do Monumento às Bandeiras. O grupo pedia pela criação do rodízio municipal de veículos, que acabou sendo aprovado no mesmo ano.

A escultura ainda foi alvo de vândalos que picharam desde as unhas dos personagens - em azul - até nomes aleatórios - como o do cantor Chorão do Charlie Brown Jr, morto em março deste ano.