09 de julho de 2026
Nacional

Com prisão decretada, PMs acusados da morte de Amarildo se apresentam

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Os dez PMs da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha acusados de matar o ajudante de pedreiro Amarildo Souza, 43 anos, em julho deste ano, se apresentaram na noite de ontem ao Comando da Polícia Militar, no centro do Rio. Eles tiveram a prisão preventiva decretada ontem.

Entre os policiais está o major Edson Santos, ex-comandante da UPP, além de um tenente, um sargento e oito soldados. Eles seriam encaminhados para exame de corpo de delito e, em seguida, para alguma unidade prisional no Rio. A juíza Daniella Prado determinou a prisão preventiva do grupo por coação a testemunhas.

O major Edson Santos teria oferecido uma casa na favela de Rio das Pedras, área dominada por uma milícia, para que, em troca, uma testemunha modificasse o seu depoimento contra os policiais. O jovem e sua mãe foram incluídos no programa de proteção à testemunhas, sendo retirados do Rio.

Há um mês, quando surgiu a denúncia, o major negou as acusações. Na noite de ontem, os advogados dos policiais disseram que não falariam sobre as prisões. O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame divulgou uma nota em que fala do esforço da polícia para elucidar o caso e que a UPP da Rocinha deve ser defendida.

Os dez policiais foram denunciados (acusação formal) na noite de anteontem pelo Ministério Público. A juíza da 35.º Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Daniella Alvarez Prado acatou a denúncia e abriu processo contra os policiais.


Depoimentos

De acordo com depoimentos que constam do inquérito, Amarildo de Souza foi abordado por 14 PMs em um bar próximo à sua casa na rua 2, no interior da Rocinha. Sem documentos, ele foi levado para a base da UPP, onde funciona o Centro de Comando e Controle, que controla as 84 câmeras instaladas na favela.

Dos 14 policiais, apenas quatro levaram Amarildo de Souza para a sede da UPP. As investigações mostram que lá, o ajudante de pedreiro teria sido forçado a contar onde estariam escondidas as armas de traficantes da Rocinha. O major Edson Santos sempre negou essa versão. Segundo ele, após Amarildo de Souza não ser reconhecido como traficante, ele foi liberado em “cinco minutos”.

Os policiais da Delegacia de Homicídios não encontraram provas de que Amarildo teria deixado o local caminhando como afirmaram os PMs da UPP em depoimentos.