08 de julho de 2026
Polícia

Ladrões roubam bitrens e fogem

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 3 min

A Polícia Rodoviária de Bauru frustrou na noite de anteontem o roubo de dois bitrens carregados com 88.300 mil litros de óleo diesel, roubados quando os motoristas dormiam em um posto de combustível de Jaú (47 quilômetros de Bauru). Um dos veículos quebrou quando tentava fazer o retorno na alça de acesso da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros para a Marechal Rondon (SP-300), e foi abordado. Os ladrões fugiram.


O 2º sargento da Polícia Rodoviária, Reginaldo Angelo Amorim, contou que o assalto ocorreu por volta das 23h30 da noite de anteontem. “Os dois motoristas da mesma empresa, que estavam com os dois veículos, um carregado com 45 mil litros e o outro com pouco mais de 43.200 litros de óleo diesel, estavam dormindo em um posto de combustíveis de Jaú. Eles relataram que oito homens, sendo alguns armados com pistola e outros com armas longas, quebraram os vidros e anunciaram o assalto”.


Alguns assaltantes entraram nas cabines dos bitrens (cavalo, mais duas carretas, totalizando sete eixos), armados com pistolas, enquanto o restante do grupo, que portava armas longas, semelhantes a metralhadoras, permaneceu fazendo escolta do lado de fora.


Os ladrões seguiram com as vítimas sentido Bauru e, ainda no pedágio de Jaú, desceram com os motoristas em direção a um canavial. Dois homens ficaram com as vítimas no local, e os outros dois seguiram conduzindo os bitrens.



Flagrante


No entanto, quando chegaram ao trevo de acesso da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros para a Marechal Rondon, no quilômetro 336 desta via, sentido leste, chamaram a atenção da Polícia Rodoviária, que patrulhava pelo local.


“O primeiro caminhão estava fazendo uma manobra estranha, parando o fluxo da rodovia, então resolvemos abordá-los. Dois homens saíram correndo imediatamente para o lado oposto da via e nós não os vimos mais. A suspeita é de que, possivelmente, havia outro veículo a espera deles, caso desse algo errado, porque eles sumiram muito rapidamente”, relatou o 2º sargento Amorim.


Além dos vidros quebrados os ladrões danificaram também os dois painéis dos caminhões, quebrando os tacógrafos e retirando os rastreadores existentes nos dois veículos. Nada de suspeito foi encontrado dentro dos bitrens, apenas impressões digitais, colhidas pela perícia, que serão analisadas.


“Nós entramos em contato com as concessionárias das vias para nos ajudar a procurar as vítimas e, por volta das 5h40, localizamos os motoristas”, disse Amorim. Os bitrens e as cargas possuem seguro e seriam liberados ainda na manhã de ontem para o proprietário da transportadora responsável pelo frete.

Ladrão ‘bonzinho’?


Um dos motoristas, de 45 anos, aceitou falar com a reportagem (tendo a identidade preservada) e relatou como tudo ocorreu.


Caminhoneiro há 15 anos nunca tinha sido assaltado e disse que trazia a carga da cidade de Paulínia para Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.

 

JC - Como foi que eles abordaram você?


Vítima - Nós estávamos dormindo, quando eles quebraram os vidros e anunciaram o assalto.


JC - Eles o ameaçaram de morte, foram agressivos?


Vítima - Não. Até fiquei surpreso. Eles apenas disseram para ficarmos quietos, que não iria acontecer nada conosco. Nem nos amarraram. Entraram nos bitrens, enquanto outros que estavam com armas tipo metralhadoras ficaram do lado de fora. Quando eles chegaram ao pedágio, já mandaram a gente descer para o canavial.


JC - E no canavial? O que eles diziam a vocês?


Vítima - Eles pediram para nós sentarmos de costas para eles e não olharmos. Usaram droga e o celular de um deles não parava de tocar. Teve um momento que um deles disse “O caminhão quebrou”. E logo eles saíram do canavial dizendo “Nós vamos ter que sair daqui. Não saiam em menos de duas horas senão vocês vão ‘levar chumbo’”. Nós esperamos quase uma hora e fomos devagar em direção à pista e pedimos ajuda no pedágio.


JC - O senhor já tinha sido assaltado?


Vítima - Nunca. Sou caminhoneiro há 15 anos, mas nunca tinha trabalhado com transporte de combustíveis. Até que eles não foram agressivos. Levaram meus celulares e R$ 500,00 meus que estavam na minha carteira, mas a devolveram com meus documentos. Estou preocupado com a minha família, nem consegui falar com a minha esposa ainda. O importante é que estamos bem.