Melhor jogador de tênis do Brasil, o ex-tenista Gustavo Kurten, conhecido mundialmente como Guga, avalia que o tênis brasileiro perdeu muito tempo após ele ganhar seu primeiro título de Grand Slam em Roland Garros, em 1997. O maior tenista brasileiro ainda ergueu o troféu de campeão no saibro francês em 2000 e 2001.
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Douglas Reis |
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Guga ao lado do paciente Luiz Gustavo Antonio Souza Melo, na manhã de sábado, no Centrinho |
Diante desta constatação, Guga não está muito otimista em relação ao papel que o tênis brasileiro fará nas Olimpíadas do Rio em 2016. No torneio de simples no masculino e feminino as chances não passam de incógnitas. “É torcer por uma semana de inspiração como foi a minha em Roland Garros, aquela primeira em 1997. Quando tudo deu certo e acabei levando o título de uma forma que ninguém esperava. Acho que a realidade seria dessa forma. Ter uns dez dias de inspiração total para ganhar dessas feras”, pontua.
Cumprindo agenda social ontem em Bauru, quando visitou o Centrinho, o ex-tenista atendeu a imprensa para falar do momento atual do tênis brasileiro.
Guga define que não é simples superar o espanhol Rafael Nadal, o suíço Roger Federer e o sérvio Novak Djokovic, na disputa do torneio de simples masculino.
Ele cita Thiago Monteiro, 19 anos, e Guilherme Clezar, 20 anos, como jovens promessas do tênis brasileiro na atualidade. Porém, evita jogar pressão nos meninos por resultados já nos Jogos Olímpicos no Rio, em 2016. “Acredito que nas Olimpíadas eles terão pelo menos condição de participar. Beliscar e sonhar mais alto, teria que esperar 2020”, avalia.
Para ele, a dupla formada por Bruno Soares e Marcelo Melo pode ir longe. “Como aconteceu comigo, eles estão chegando a um estágio de topo. É uma chance real de medalha”.
O aparecimento de um fora de série como Guga no tênis exige uma combinação de coisas que o Brasil ainda não domina, apesar dos 20 títulos conquistados por Guga e de Maria Esther Bueno vencer o torneio de simples feminino de Wimbledon três vezes, e arrematar o título Nacional dos EUA quatro vezes. Ela reinou entre 1959, 1960, 1964 e 1966.
Guga entende que o nó no tênis brasileiro ainda é a dependência de projetos pessoais, como foi o caso dele. “O tênis fica à mercê de um desbravador, de um cara corajoso”, pontua. Ele entende que é preciso dar uma melhor condição para os tenistas, ainda que a Confederação Brasileira de Tênis tenha aprimorado seus projetos. “Se perdeu muito tempo desde 1997 (primeiro título de Guga em Roland Garros). De lá, quase 15 anos que foram tempo perdido. Hoje está começando um projeto de montagem aproveitando as Olimpíadas”, acrescenta.
Abismo
O ex-tenista lembra que enquanto não houver estrutura para formar talentos, o tênis brasileiro será lembrando por Guga e Maria Esther Bueno. “Enquanto não houver esse tipo de estrutura vai ficar refém de um maluco lá de Floripa (capital de Santa Catarina). Com um treinador (Larri Passos) também sonhador e acreditar que é possível desafiar os caras dos Estados Unidos, Europa e Austrália. Que em termos de montagem técnica, conhecimento do tênis e estrutura, não dá nem para comparar porque o Brasil está muito distante disso”, constata.
Bauru dá alegria
Bauru é uma cidade de bons fluídos para Gustavo Kurten. Em sua passagem em 7 de maio de 2010 por aqui, durante a Copa Davis, Guga comemorava 10 anos de uma marca que poucos tenistas profissionais conquistam. Em 2010, ele completou o décimo aniversário da conquista do primeiro lugar no ranking da Associação de Tenistas Profissionais (ATP), posição que manteve por 43 semanas durante a temporada de 2000.
Em sua visita a Bauru, em 2010, Guga trouxe sorte ao time brasileiro da Davis que arrebentou com o Uruguai na disputa para retornar ao Grupo Mundial da Copa Davis.
Projetos
Muito disposto, Guga ainda falou sobre seu livro autobiográfico e a relação com seu filho, nascido no Dia do Tênis, em 9 de junho de 2013. O ex-tenista planeja lançar sua autobiografia em 2014. A pesquisa sobre sua história de vida deixa Guga entusiasmado com aquilo que se depara a cada nova pesquisa. Aos 37 anos, ele comenta que a escrita do livro ajuda a entender melhor sua história. “Fico abismado com as coisas que não têm muito sentido e bem fora do padrão normal, a minha trajetória e a escolha do tênis”, ressalta.
O segundo filho de Guga nasceu no Dia do Tênis. Luis Felipe Soncini Kuerten é o caçula de Guga e Mariana Soncini, casal que já tem Maria Augusta, com um ano e sete meses de idade. Guga comenta que incentivará o filho a praticar todos os esportes.
Guga ganha mais fãs no Centrinho
Gustavo Kuerten ganhou mais dezenas de admiradores durante a visita ontem ao Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (Centrinho/USP). São fãs que nem viram o manezinho da ilha jogar e faturar 20 títulos de simples numa carreira de 13 anos de tênis profissional.
Na visita à ala de pacientes, Guga trocou energia com a meninada. O paciente Luiz Gustavo Antonio Souza Melo, 10 anos, já estava com a alta médica, segundo sua mãe Isabel Antonia de Jesus.
Desejando ir logo para casa, em Uberlândia (MG), o garoto fez questão de esperar a visita de Guga. “Gosto de esporte”, sorriu Luiz Gustavo, ainda em recuperação.
Mãe e filho estavam há uma semana no Centrinho onde Luiz Gustavo passou por cirurgia no ouvido e amídalas.
Na visita, Guga recebeu da superintendente do Centrinho, Regina Célia Bortoleto Amantini, um kit constando a história pioneira do hospital. O Banco do Brasil é um dos parceiros de Guga em projetos sociais e esportivos. Representaram o BB na visita ao Centrinho o superintendente Regional de Varejo em Bauru, Antonio Carlos Soares; o gerente de Desenvolvimento Regional Sustentável, Hélio Massao Kawano; e o gerente João Alexandre Ernandes, da Superintendência Varejo e Governo São Paulo Oeste. A visita de Guga a Bauru faz parte do programa “Embaixadores do Esporte”, do Banco do Brasil