08 de julho de 2026
Nacional

Sem tiros, mais uma UPP é instalada


| Tempo de leitura: 3 min

O complexo de favelas do Lins, na zona norte do Rio, foi ocupado na madrugada de ontem, para a instalação da 35.ª Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), em operação que reuniu cerca de 1.000 agentes de forças de segurança, com o apoio de 14 blindados do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha. Não houve reação dos traficantes de drogas da comunidade. Nenhum tiro foi disparado. Houve cinco prisões e a apreensão de duas pistolas, carregadores, munição, crack e maconha.


O cerco policial na região havia começado no último dia 20. Desde então, 180 pessoas foram detidas e 74 armas, apreendidas, entre elas 14 fuzis. A operação da madrugada de ontem tinha sido avisada com antecedência, como nas anteriores de instalação de UPPs.


O complexo do Lins reúne 12 favelas e cerca de 15 mil pessoas. Durante a manhã, moradores falavam do temor de que ocorram no complexo casos de arbitrariedade policial, como registrado na favela da Rocinha (São Conrado, zona sul). Dez policiais militares são acusados em inquérito policial de terem sequestrado, torturado e matado o pedreiro Amarildo de Souza, em 14 de julho, na Rocinha. Eles estão presos.


O governador Sérgio Cabral (PMDB) afirmou que o caso Amarildo “não é a marca das UPPs” . “Por um lado lamentamos profundamente a conduta desses policiais, mas isso não representa a filosofia da UPP, pelo contrário. O método utilizado pelos policiais é uma coisa abominável, mas temos 8,6 mil PMs em UPPs e a esmagadora maioria é querida pela população”, afirmou.


Para o governador, “o caso Amarildo é um caso triste”, mas serviu para demonstrar “que só pôde acontecer o que aconteceu, com investigação e punição, porque temos uma UPP na Rocinha”.


O secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, disse que “a polícia que às vezes comete erros é a mesma que pacifica”.


No Lins, policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da PM estenderam bandeiras da unidade, que mostram uma caveira com uma faca enfiada no crânio, em muros do complexo, que era controlado pela facção criminosa Comando Vermelho (CV). “O receio é sobre o que pode acontecer daqui pra frente, porque já vimos que os problemas não se dão durante a ocupação, mas depois. Outra questão é que não basta entrar só com a polícia”, disse o advogado Marcelo Chalréo, presidente da Comissão de Direitos Humanos da seção fluminense da Ordem dos Advogados do Brasil(OAB-RJ), que acompanhou a ação.


Após a ocupação policial, consultores da Sky chegaram à favela para vender pacotes da TV por assinatura, que custam a partir de R$ 49,90. “O pessoal vai cortando o gatonet e a gente vai entrando atrás pra fazer a adesão”, disse a vendedora Rebeca.

 

Maré em 2014

Após ocupação policial em 12 favelas do Complexo do Lins de Vasconcelos, zona norte do Rio, o governador Sérgio Cabral (PMDB) anunciou no ontem que o Conjunto de Favelas da Maré será o próximo a ser pacificado no primeiro trimestre de 2014.

“Tem todo um leque de ações e aplicação desses homens que vão se formar na PM (para instalação da UPP na Maré). Foi uma estratégia (pacificar o Lins antes da Maré), não tem adiamento nenhum”, disse o governador em entrevista coletiva no Centro Integrado de Comando e Controle, na região central da cidade.


O secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, também negou que a implantação da UPP na Maré tenha sido adiada por falta de efetivo. “Nós nunca falamos que a Maré viria antes do Lins ou de outra comunidade. Ela vai ser ocupada, mas não vou dizer quando”, disse Beltrame.


Segundo Cabral, serão investidos cerca de R$ 500 milhões em obras de infraestrutura que irão beneficiar não apenas o Complexo do Lins, mas o entorno das favelas da zona norte carioca.