08 de julho de 2026
Nacional

Protestos geram confronto e vandalismo em SP e Rio


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Na repetição dos protestos mais violentos ocorridos em junho no País, manifestantes entraram em confronto na noite de ontem com a polícia e depredaram bancos e lojas no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Os atos tiveram a mesma motivação: o protesto dos professores municipais do Rio contra o plano de cargos e salários oferecidos pela prefeitura. Os jovens paulistas organizaram a marcha em apoio aos docentes cariocas.

Também seguiram roteiro parecido, com atos pacíficos dando lugar a atos de vandalismo ao cair a noite, a partir da intervenção de jovens mascarados adeptos da tática de protesto “black bloc”.

No Rio, sem a presença ostensiva da polícia, envolvida em acusações de agressões a manifestantes nos últimos dias, o protesto terminou com mascarados lançando bombas caseiras e coquetéis molotov pelo centro do Rio.

Houve ataques direcionados à Câmara dos Vereadores. Uma das entradas laterais do Palácio Pedro Ernesto, sede do Legislativo municipal, chegou a ser atingida por coquetéis molotov.

Na avenida Rio Branco, um ônibus foi incendiado, assim como a portaria da sede do Clube Militar.

As cenas de vandalismo voltaram a se repetir após os confrontos com a PM registrados no protesto dos educadores na semana passada.

Desta vez, sindicalistas, estudantes e representantes de movimentos sociais se juntaram aos professores na Praça da Candelária, que reuniu ao menos 10 mil pessoas, de acordo com a PM.

No meio da multidão, no entanto, um grupo, formado por mais de 300 pessoas mascaradas, protagonizou os ataques à Câmara.

Numa alusão a um dos gritos de guerra do Bope, os grevistas gritavam ao microfone: “População na rua qual é sua missão”. A multidão respondia: “Conquistar mais dinheiro para saúde e educação.”

“Não sou professora, mas estou aqui para prestar meu apoio”, disse a auxiliar administrativa Márcia Rodrigues, 30 anos, moradora da Tijuca, na zona norte do Rio.

Outra a defender a causa dos professores foi a atriz Thaila Ayala, que participou da manifestação usando um uniforme da rede municipal.

NaCapital paulista, dois grupos, que se reuniram na avenida Paulista e no Theatro Municipal, se encontraram na praça da República, em frente ao prédio da Secretaria da Educação.

Entre os manifestantes da Capital paulista, havia “black blocs”, estudantes da USP - que protestam por maior participação política na universidade - e integrantes do central sindical Conlutas.

A PM jogou ao menos seis bombas de gás lacrimogêneo para dispersar o grupo. “Black blocs” revidaram com rojões contra os policiais.

Com marretas, pedras e chutes, manifestantes quebraram orelhões, vidraças de agências bancárias e lanchonetes na região da República. Comerciantes fecharam as lojas rapidamente para evitar prejuízos e depredações


Manifestantes viram viatura

Um grupo de pessoas encapuzadas usou paus, pedras e até marretas para depredar as vidraças e caixas eletrônicos de ao menos cinco agências bancárias da região central de São Paulo.

A maioria dos integrantes era do grupo black bloc e participava de protestos iniciados na avenida Paulista e no Theatro Municipal, em apoio à greve na USP e dos professores no Rio de Janeiro.

Os manifestantes viraram um carro da Polícia Civil na avenida Rio Branco, próximo à rua Aurora. O veículo faz parte da frota do 3.º DP (Campos Elíseos).

Nas avenidas Ipiranga e Rio Branco, foram destruídas três agências do Santander, uma do Itaú e uma do Bradesco. Um McDonald’s da avenida Ipiranga também foi invadido e depredado. Em um Habbib’s na mesma via, os manifestantes jogaram uma bomba e ainda roubaram um extintor.

O grupo deixou um rastro de destruição por onde passou. Sacos de lixo foram amontoados e incendiados em diversas vias do centro da cidade. Os black blocs reviraram lixeiras e até tentaram roubar um colchão de um mendigo para atear fogo, mas foram impedidos pelo morador de rua.

A entrada do metrô República foi parcialmente fechada após tentativa de invasão dos manifestantes.