O governador de Pernambuco e provável candidato à Presidência da República, Eduardo Campos (PSB), afirmou nesta terça-feira (8) que está na hora de aposentar "um bocado de raposa" que "enche a paciência do povo brasileiro".
"Chegou a hora de a gente aposentar um bocado de raposa que já está aí, enchendo a paciência do povo brasileiro, e que precisa ir para casa para o Brasil seguir em frente, mudando", afirmou em entrevista à rádio Metrópole FM, de Salvador, hoje.
É a primeira vez desde que a ex-senadora Marina Silva se filiou ao PSB, no último fim de semana, que a assessoria do governador divulga uma entrevista de Campos a uma rádio local. A partir de agora o governador deverá conceder mais entrevistas a rádios de boa audiência nos Estados, a exemplo do que tem feito a presidente Dilma Rousseff.
Na entrevista feita por telefone, que durou cerca de meia hora, o governador criticou também o loteamento de cargos no governo federal.
"Nós não podemos fatiar a República com os partidos achando isso uma coisa natural. Essa prática está vencida", disse Campos. "Não podemos permitir a apropriação de pedaços do Estado por forças políticas para alimentar reeleições e eleições de A, B ou C", afirmou sem citar nomes.
O governador de Pernambuco também comentou sobre sua relação com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e disse que "nenhum movimento da política vai afastar o respeito e a consideração" que tem pelo petista e afirmou que PT e PSDB deveriam achar bom o fim da polarização.
"Agora, ele [Lula] sabe o que está acontecendo no país, sabe da minha opinião --que não é de hoje-- sobre o pacto social brasileiro e o pacto político que está na base do governo da presidente Dilma [Rousseff]", afirmou.
"Todos reconhecem que houve avanços, mas todos reconhecem que esse modelo de pacto político que está aí está superado, não vai produzir nada de melhoria importante na vida das pessoas. O que tinha que dar, ele deu", disse Campos, referindo-se ao arranjo político atual como "coisa mofada, cansada e atrasada".
"Aquelas figurinhas são as mesmas. Os camaradas têm as mesmas cabeças, só pensam nas caixinhas, no currículo embaixo do braço para empregar alguém que não arruma emprego na iniciativa privada", disse o governador.
Campos também se disse favorável a concessões e a parcerias público-privadas, e afirmou que o governo federal demorou a tomar iniciativas nesse sentido.