11 de julho de 2026
Política

Candidato, vice-reitor da USP defende uma reitoria menos centralizadora

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Aceituno Jr.

Hélio Nogueira da Cruz esteve ontem em Bauru, onde se reuniu com colegas

Economista, professor- doutor titular desde 1989 e vice-reitor por dois mandatos, Hélio Nogueira da Cruz é um dos cinco possíveis candidatos à reitoria da Universidade de São Paulo (USP) na eleição marcada para o dia 19 de dezembro.

Seus adversários serão conhecidos oficialmente apenas na próxima segunda-feira, quando termina o prazo para registro das chapas, mas Hélio já é apontado como um dos favoritos para a disputa, que é definida, de fato, pela escolha do governador do Estado dentre uma lista tríplice com os três candidatos mais votados.

Neste ano, no entanto, a eleição terá caráter mais amplo, com consulta a alunos, estudantes e funcionários, que será apenas indicativa, mas já muda o perfil da disputa. Hélio reconhece que terá que dialogar não apenas com os 2 mil representantes do colegiado que têm direito a voto, como também com um universo de 90 mil alunos, 7 mil docentes e outros milhares de funcionários. “É um mondo diferente”, admite.

O novo sistema eleitoral da USP foi definido pelo Conselho Universitário no último 1º de outubro em meio a protestos de estudantes que reivindicavam mudanças na escolha do reitor. O atual, João Grandino Rodas, por exemplo, foi apenas o segundo mais votado em 2008. Seu mandato termina no dia 25 de janeiro.

Pegando carona nas reivindicações, o já favorito Hélio Nogueira da Cruz prega, em seu programa de gestão, uma reitoria menos centralizadora e maior autonomia para as unidades da USP.

Jornal da Cidade -  Quais os principais pontos que merecem atenção do próximo reitor da USP?

Hélio Nogueira da Cruz - São três pontos. A universidade tem autonomia financeira, providenciada pelo então governador Orestes Quércia. Há grande tranquilidade para gerir esses recursos, que provêm do ICMS. Mas, no começo do ano, várias matérias na imprensa apontavam que tínhamos reservas de dinheiro muito grandes. Por conta disso, começaram a ser feitas muitas obras e estamos gastando muito do que recebemos mensalmente. Neste cenário, o equilíbrio financeiro volta a ser um tema importante.

JC -  A cobrança por maior democratização na universidade está entre os outros dois pontos?

Hélio - A estrutura de poder precisa ser revista. E já há o compromisso do Conselho Universitário para que essas questões voltem a ser discutidas a partir do ano que vem. Elas vão muito além do sistema eleitoral. Hoje o poder é muito personalizado na figura do reitor. Temos que garantir mais poder para as unidades.

JC -  Por que isso é importante?

Hélio - As inovações e ampliações, em grande parte, partem de baixo para cima. De vez em quando é o contrário, como a criação da USP Leste e do campus da Baixada Santista, que foram de iniciativa central, fortalecida por muita atuação política. No mais, essas demandas aparecem das unidades, como é o caso do segundo campus de São Carlos e a criação do curso de Engenharia Aeronáutica, muito bem sucedido. Queremos incentivar a inovação e o dinamismo.

JC -  E o terceiro ponto?

Hélio - Foi aprovada pelo Conselho Universitário a política de inclusão social. Em todos os cursos, de todos os períodos, 50% dos alunos devem vir de escola pública. Dentre eles, 17% devem ser pretos ou pardos. A USP precisa dedicar enorme esforço para buscar esses estudantes e, principalmente, manter a nossa qualidade. Temos o compromisso histórico com a excelência.

JC -  Falando na questão pedagógica, é preocupante o fato de a USP ter deixado, neste ano, o ranking das 200 melhores universidades do mundo?

Hélio - Em diversos outros indicadores internacionais, estamos em ascensão. Somos a primeira da América Latina. Neste indicador em questão, vínhamos melhorando nos últimos quatro anos após uma fase anterior em que tínhamos piorado. Agora, voltou a cair. A queda foi relacionada com a questão da pesquisa e também da graduação, medida a partir de questionários. É um alerta, mas também possa haver problemas metodológicos. Nenhum País, em condições normais, piora muito de um ano para o outro, assim como as melhorias são conquistadas aos poucos. O mesmo vale para as universidades. Além disso, os resultados mostram que nossos competidores internacionais estão vivos, espertos, evoluindo.

JC -  O que achou do novo sistema eleitoral da USP?

Hélio - É um mundo diferente. Estávamos acostumados a conversar apenas com professores. Agora esse diálogo terá maior amplitude. Nada disso está muito estruturado ainda. As regras foram definidas agora e o prazo ficou extremamente curto para o debate político. No modelo antigo, em janeiro do ano eleitoral, já sabíamos quem eram os candidatos, que, por sua vez, deverão diminuir. Ficou mais aberto e democrático, mas com um prazo muito curto.


Faculdade de Medicina

Atualmente encaminhada junto à Universidade Estadual Paulista (Unesp), a tão sonhada Faculdade de Medicina depende, principalmente, do desejo e das movimentações da comunidade de Bauru para ser viabilizada por meio da USP. Este, pelo menos, é o entendimento do candidato a reitor Hélio Nogueira da Cruz.

Segundo ele, em locais onde já existe estrutura da universidade, a articulação local é crucial para viabilizar um projeto de expansão. “Se há resistência interna, fica muito difícil”, alega ele, que atua no campo administrativo da USP há 20 anos.