11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Região de Bauru se destaca na atração de investimentos

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 6 min

Bauru e região continuam se destacando como um importante polo de atração de investimentos em todo o Estado. Numa pesquisa divulgada pela Fundação Seade, a região ficou em quarto lugar no Interior em volume de recursos a serem aplicados pela iniciativa privada nos próximos anos.

O resultado foi divulgado pela Fundação Seade na Pesquisa de Investimentos Anunciados no Estado de São Paulo (Piesp) e é puxado pelos projetos de expansão da Lwarcel, empresa do grupo Lwart, de Lençóis Paulista.

Ao todo, o estudo identificou a existência de 13 empresas que se instalaram, ampliaram ou pretendem ampliar seus negócios na região, abrangida por 39 municípios.

Em 2012, elas informaram ter planejado investir US$ 1,267 bilhão – ou R$ 2,543 bilhões nos próximos dez anos. O índice só fica atrás de Campinas, São José dos Campos e Sorocaba, além da região metropolitana de São Paulo e Baixada Santista, que, juntos, somam US$ 40,449 bilhões.

Atrás de Bauru, aparecem, pela ordem, as regiões de Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Araçatuba, Marília, Barretos, Franca, Registro e Presidente Prudente. Em todo o Estado, os investimentos anunciados chegam a US$ 59,8 bilhões. Apenas na cidade de Bauru, o valor foi de US$ 129,08 milhões – ou R$ 259,06 milhões.

Na região, quase 94% dos recursos referem-se a um único empreendimento – a Lwarcel Celulose, de Lençóis Paulista. A indústria anunciou que irá ampliar seu complexo fabril e expandir as florestas plantadas de eucalipto, num investimento estimado em cerca de US$ 1 bilhão.

 

Comércio

Por este motivo, o setor industrial respondeu pelo maior volume de recursos anunciados para a região, seguido pelo comércio, infraestrutura e serviços (leia mais no quadro).

Na indústria, além das ampliações da Lwarcel, também foi anunciada a ampliação da capacidade de produção de tratores da Volvo, em Pederneiras, com aquisição de máquinas e equipamentos (US$ 4,9 milhões).

No comércio de Bauru, se destacaram a implantação da loja Atacadão, do Grupo Carrefour (US$ 30,2 milhões), a instalação da loja de departamentos Havan (US$ 7,3 milhões) e a ampliação do Bauru Shopping (US$ 12,3 milhões). Houve ainda a abertura do Boulevard Shopping Nações e do Villaggio Mall Center, cujos valores investidos não constam no estudo porque não teriam sido confirmados pelas empresas.

Mas, conforme o JC divulgou, somente até sua abertura, em novembro de 2012, o Boulevard Shopping Nações já havia investido R$ 272 milhões no empreendimento, o equivalente a US$ 135,5 milhões.

Já os recursos aplicados no setor de infraestrutura envolveram os ramos de eletricidade, com a ampliação da rede de distribuição da CPFL em Bauru e em Bariri (US$ 12,3 milhões); e de saneamento, com a construção do Centro de Gerenciamento de Resíduos (CGR) em Piratininga, pela Estre Ambiental (US$ 9,7 milhões).

Também foram considerados os investimentos feitos pela Gas Brasiliano, empresa da Petrobras, para ampliar a distribuição de gás canalizado em várias regiões do Estado, incluindo Bauru, num total de US$ 30,6 milhões.

Capacidade quadruplicada

Segundo o presidente do Grupo Lwart, Carlos Renato Trecenti, a Lwarcel Celulose já recebeu a licença ambiental prévia para a ampliação, emitida pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e, neste momento, está na fase de estudos de engenharia básica e viabilidade financeira do projeto, que pode incluir futuras parcerias. A previsão é de que os investimentos de cerca de US$ 1 bilhão sejam concretizados entre 2015 e 2016.

“Com isso, o objetivo é expandir a produção da Lwarcel Celulose de 250 mil toneladas para cerca de 1 milhão de toneladas por ano, quadruplicando sua capacidade”, salienta.

Interiorização

Embora a região metropolitana de São Paulo e a Baixada Santista concentrem quase metade dos investimentos anunciados pela iniciativa privada em 2012, o estudo demonstra que o Interior do Estado vem ocupando uma posição de destaque na atração ou expansão de empreendimentos.

Segundo especialistas têm afirmado, trata-se do segundo maior mercado consumidor de todo o País. Na região, além de Bauru, destacam-se os municípios de Lençóis Paulista, Agudos e Pederneiras.

“Bauru, por ser polo regional, já atrai interesse naturalmente. Mas as três últimas cidades têm criado políticas mais agressivas para acelerar o crescimento de investimentos”, analisa o economista Wagner Ismanhoto.

O estudo

A Pesquisa de Investimentos Anunciados no Estado de São Paulo (Piesp) é um instrumento único na aferição das tendências de ampliação produtiva no território paulista. O estudo, realizado anualmente, contabiliza as informações divulgadas pela imprensa, que são checadas pela Fundação Seade junto às empresas.

Em 2012, foram contabilizados cerca de 1 mil anúncios de investimento para o Estado de São Paulo, totalizando US$ 59,8 bilhões, o maior montante desde 1998, quando a pesquisa teve início.

Mais incentivos

Divulgada em julho, a Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic) 2012 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que Bauru oferece mais incentivos às empresas do que municípios de mesmo porte, como Jundiaí e São José do Rio Preto, por exemplo. Fica atrás, no entanto, de outras cidades como Piracicaba, Marília e Franca, que contam com uma lista maior de estímulos.

Bauru, em muitos casos, garante ao grande investidor a isenção integral de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) durante dez anos, mesmo período em que pode ceder terrenos para a instalação das empresas. Decorrido este prazo, o proprietário pode requerer a doação, que é autorizada se ele cumprir todos os requisitos legais, como ter área construída em ao menos 40% do terreno.

O município não abate o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN), mas cobra o menor percentual, de 2%. Bauru também não isenta outras taxas e não doa terrenos no momento da implementação dos negócios.

De qualquer maneira, especialistas garantem que estes benefícios já não possuem mais a mesma importância, até porque os tributos municipais são os que menos pesam para as empresas. Para os investidores, acabam sendo bem mais decisivos os critérios estruturais, tais como as condições do transporte público, creches, escolas, tratamento de esgoto, potencial do mercado consumidor, entre outros.

Falta de áreas ainda é entrave

Arquivo/Neide Carlos

O economista Wagner Ismanhoto: “É preciso criar condições para a ocupação do Distrito Industrial 4”

A Prefeitura de Bauru oferece uma série de incentivos fiscais para atrair empresas para a cidade, mas a falta de tratamento de esgoto e a ausência de grandes áreas para concessão, já que boa parte do território desabitado está protegida por leis ambientais, estão entre os principais entraves para a vinda de novos negócios.

“A falta de área nos impõe algumas limitações, mas temos nos empenhado e conseguido criar condições para atrair estes investimentos. O ano de 2012, particularmente, foi muito bom nesse sentido”, analisa Arnaldo Ribeiro, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico.

Para o economista Wagner Ismanhoto, no entanto, o município deveria adotar estratégias mais agressivas, oferecendo, por exemplo, infraestrutura em áreas que possam ser ocupadas.

“As áreas dos distritos existentes já estão todas comprometidas. É preciso criar condições para a ocupação do Distrito 4, doar terrenos a partir da exigência de contrapartidas destas empresas, que geram emprego e renda para o município”, vislumbra.