Presidente da Associação de Basquete Sul-Americano (Abasu) e vice-presidente da Fiba Américas, o brasileiro Gerasime Bozikis (Grego) ocupou durante muitos anos a presidência da Confederação Brasileira de Basquete (CBB). De ascendência grega (por isso o apelido), Bozikis está em Bauru acompanhando os jogos do Grupo B da Liga Sul-Americana.
Ele conversou com o JC sobre os projetos da Abasu e da Fiba, o momento atual da Seleção e também a possibilidade do Brasil disputar o Mundial na Espanha, em 2014.
JC – O senhor é presidente da Abasu e vice da Fiba Américas. Como é a relação das duas entidades?
Grego – A Abasu é a principal entidade na América do Sul, enquanto a Fiba Américas responde por todo o continente. Nós trabalhamos em conjunto pois a Fiba Américas já possui uma estrutura montada, de marketing, televisão e no aspecto técnico. A Liga Sul-Americana é organizada pela Abasu com apoio da Fiba Américas, enquanto a Liga das Américas é só da Fiba mesmo.
JC – Em relação a parte técnica, o senhor acha que está havendo evolução no continente?
Grego – Aconteceu algo bem interessante nos últimos anos. Antes entravam quatro brasileiros e quatro argentinos na Liga Sul-Americana, agora são três do Brasil e três da Argentina. Isso abriu vaga para outros países, e está ajudando o basquete a avançar nestas outras nações. É até difícil selecionar, porque sempre tem 19 ou 20 clubes querendo jogar e são só 16 vagas. A final, em semifinal e final, também é mais interessante do que o Final Four, e será assim neste ano. Na divulgação, a DirecTV gera imagens de todos os jogos e distribui para todos os países da América e na Europa também.
JC – Para a segunda fase e final, existe alguma definição das sedes?
Grego – Várias cidades demonstraram interesse. Bauru, Brasília, Ambato (Equador), Montevidéu (Uruguai) e Buenos Aires (Argentina) já demonstraram interesse em receber a segunda fase, que será em duas sedes. Não existe leilão, o critério para escolher é técnico, e passa também pelo envolvimento de cada local, a história, é algo muito importante para nós e a estrutura e público presente. Bauru teve bom público na Liga das Américas em 2012 e isso pesou muito para ter a Sul-Americana aqui. Para a final, Mar del Plata (Argentina), Brasília e Bauru, caso avance até lá, também se mostraram interessadas em trazer os jogos.
JC – Neste mês aconteceu a Copa Intercontinental, entre Olympiacos (Grécia) e Pinheiros. Há um trabalho para retomar o Mundial com todos os continentes?
Grego – Olha, foi algo muito interessante. O Olympiacos gostou muito da iniciativa e passaram a apoiar a iniciativa na Europa, pois a ideia surgiu aqui na Fiba Américas. Acredito que no próximo ano, além de América e Europa, tenhamos os campeões dos outros continentes (Ásia, África e Oceania), com a possibilidade do campeão da NBA disputar também.
JC – E o momento atual da CBB? O senhor foi presidente da entidade por 12 anos, e hoje ela passa por momento financeiro complicado.
Grego – É difícil falar de uma entidade pela qual já passei. Mas posso afirmar que todos estão trabalhando para que o basquete brasileiro não tenha mais problemas do que já tem. Todos estão empenhados, inclusive para que o Brasil consiga ir para o Mundial no ano que vem.
JC – Aliás, falando em Seleção, o Brasil não conseguiu a vaga para o Mundial em quadra (perdeu todos os jogos na Copa América). Qual a real possibilidade do País ser um dos quatro convidados pela Fiba para o Mundial da Espanha, em 2014?
Grego – Há um desejo grande que o Brasil entre na competição. É um país que tem história, é um país grande, com 200 milhões de habitantes, televisão fazendo o campeonato. Uma das quatro vagas será da China. Sobram três vagas, e tem vários países europeus que sempre fazem eventos com a Fiba, casos da Grécia, Turquia, Itália, Alemanha e Rússia. Na América, além do Brasil, a Venezuela está tentando o convite. Vamos buscar o apoio de todos, pedir uma carta ao ministro do esporte, à Presidente da República. A ideia é que nessas três vagas que sobram, duas sejam da Europa e uma da América, aí a briga do Brasil será com a Venezuela. Em novembro já tem uma pré-seleção, para em fevereiro definir os quatro convidados.