08 de julho de 2026
Esportes

Basquete: Bulls de Bauru

Neto del Hoyo
| Tempo de leitura: 4 min

Ele já tentou duas vezes acompanhar o Chicago Bulls nos Estados Unidos. Não conseguiu. Mas se não dá para ir até o United Center, o negócio é torcer no Rio de Janeiro.

O designer Oswaldo Thompson terá hoje a oportunidade de ver o seu time de coração de perto, a quase 800 quilômetros de distância de Bauru. Ele será um dos quase 15 mil privilegiados torcedores que acompanharão a primeira partida da NBA no Brasil, entre Chicago Bulls e Washington Wizards, na Arena HSBC, na Barra da Tijuca. “É um sonho que vai se realizar”, revela, com a ansiedade de um garoto, o torcedor de 34 anos.

Enrolado na bandeira rubro-negra, esfregando as mãos e contando os minutos para o grande dia, o editor de arte não fazia questão nenhuma de esconder sua preferência. “Gosto de basquete, é meu esporte favorito. Mas confesso que se fosse um jogo entre...sei lá, Lakers e Wizards, por exemplo, eu nem perderia meu tempo”.

Aqui é trabalho!

Thompson não irá sozinho. Na viagem histórica, embarcam com ele para o Rio os amigos e companheiros de trabalho Carlos Cubas, programador de 41 anos, e Alexandre Sueishi, publicitário, 25. “Torcedor mesmo, só eu. O Sueishi inclusive diz que é Lakers, mas topou embarcar nessa”, diverte-se.

A paixão de Thompson pelo basquete veio cedo para quem começou a se interessar por esporte um pouco tarde. “Eu tinha uns 14 anos e acompanhava os jogos da NBA que eram transmitidos pela Band, ainda pela TV aberta. E foi justamente na época de ouro dos Bulls com o (Michael) Jordan. Fui pegando gosto e comecei até a jogar basquete”.

No futebol, o rubro-negro ganha um tom de branco na torcida pelo tricolor paulista. “Sou são-paulino, mas acompanho muito mais o basquete. Gosto do esporte, vou aos jogos do Bauru Basket, assino canal dos Bulls para ver a temporada pela Internet. É diferente. Se eu estiver em São Paulo e tiver um jogo no Morumbi, não vou me interessar. Mas quando estive nos Estados Unidos, por duas vezes, fiz de tudo para ver os Bulls. Não consegui e acompanhei o jogo do Orlando (Magic) contra o Houston (Rockets). Agora não posso perder”.

Segundo a NBA, a escolha das equipes que entrarão em quadra no “NBA Global Games” teve como objetivo se adequar ao gosto dos fãs brasileiros. Os Bulls, de Thompson, foram chamados por conta da legião de torcedores que juntaram no País na era Michael Jordan, quando ficaram mundialmente conhecidos por terem dominado os anos 90, liderados por Jordan, Scottie Pippen e o treinador Phil Jackson, ganhando seis campeonatos em oito anos. Já os Wizards estão na parada porque contam com o brasileiro Nenê Hilário. Aos 30 anos - dez deles na NBA -, o pivô é um dos brasileiros mais bem-sucedidos no basquete.

Defesa

Nos primeiros três campeonatos ganhos pelo time de Chicago nos anos 90, a equipe também contava com Bill Cartwright, Horace Grant, John Paxson e B.J. Armstrong. Nos outros três, faziam parte Luc Longley, Steve Kerr, Ron Harper, Toni Kukoc e Dennis Rodman. Os dois últimos, os preferidos de Thompson. “A maneira de acompanhar um esporte é diferente no Brasil e nos Estados Unidos. Aqui, é ídolo aquele que faz mais pontos, um jogador de ataque. Por lá é o contrário. Se valoriza muito a defesa. Por isso mesmo, meus preferidos são o Toni Kukoc (pivô croata), um cara completo, e o Dennis Rodman, muito bom na defesa e que também tinha um estilo diferente, cabelo colorido, etc”.

Mesmo não estando no United Center, o ginásio dos Bulls, Thompson vai se sentir em casa. Afinal, a torcida brasileira promete ser toda para o Chicago – ou quase toda, levando-se em conta os mesmos motivos que fizeram o bauruense se apaixonar pelo time. Além disso, astros da era dourada da franquia de Chicago, como Scottie Pippen, Horace Grant, John Paxson e Randy Brown já confirmaram presença.


Internacionalização

O confronto entre Bulls e Wizards é parte de uma programação abrangente do calendário internacional da NBA, que incluirá 12 equipes da liga em um total de dez jogos em sete países durante a temporada 2013/14. Das dez partidas, duas são de temporada regular, em Londres e Cidade do México.

Que Michael Jordan manda prender e soltar nos Bulls, não se discute. Mas o que passa batido é que o maior de todos os tempos também tem plenos poderes sobre o Washington Wizards, adversário de hoje da franquia com a qual eternizou o número 23.

Jordan já fez dois retornos à NBA. Depois de abandonar a carreira para fazer uma tentativa no beisebol, retornou ao Bulls para mais um tricampeonato. Mas quando parecia ter se aposentado definitivamente, ainda jogou mais duas temporadas pelo Washington Wizards entre 2001 e 2003. Antes, ainda na equipe da capital norte-americana, foi co-proprietário e presidente de operações de basquete.

O último jogo de Jordan na NBA aconteceu no dia 16 de abril de 2003, na Filadélfia.


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