09 de julho de 2026
Esportes

Rio é palco do primeiro jogo da NBA no Brasil e Chicago Bulls vence

Neto Del Hoyo enviado ao Rio
| Tempo de leitura: 5 min

Ricardo Moraes/Reuters

Chicago Bulls vence o Washington Wizards por 83 a 81

Nem Derrick Rose, nem Scottie Pippen, muito menos Nenê Hilário. Quem roubou a cena no primeiro jogo da NBA no Brasil, na noite deste domingo (12), foi Oscar Schmidt. Na partida histórica em que o Chicago Bulls bateu o Washington Wizards por 83 a 81, a Arena HSBC, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, foi toda rubro-negra.

Fora de quadra, mascotes muito bem humorados, cheerleaders (líderes de torcida) ao som de Anitta, e muita festa. Em quadra, frustração do torcedor quando foi anunciado que o MVP da temporada 2011/2012, o armador Derrick Rose, juntamente com o pivô Joakim Noah, seriam poupados por estarem machucados. Mas os Bulls nem precisaram de seus maiores nomes para vencer o duelo do “NBA Global Games”, válido pela pré-temporada. O cestinha da partida foi Taj Gibson, com 18 pontos para os Bulls. O ala Luol Deng colaborou com mais 14. Pelo lado do Wizards, o armador Boris Beal anotou 16 pontos. Um a mais que o ala Webster.

Anfitrião da festa, o pivô Nenê Hilário, do Wizards, único brasileiro na partida, fez apenas cinco pontos, e teve que jogar debaixo de vaias. Indo para sua 12ª temporada na NBA, o pivô puxou a fila dos jogadores que pediram dispensa da seleção brasileira convocada para a Copa América e caiu em desgraça com o torcedor – a própria organização da NBA temia que seu jogador fosse hostilizado.

E justamente um de seus maiores críticos, roubou a cena. Oscar, ex-jogador do Flamengo, estava em casa. Dentro de quadra, Bulls e Wizards já disputavam o histórico jogo quando o “Mão Santa” entrou por uma das portas laterais da Arena HSBC. As 14 mil pessoas que esperavam Derrick Rose, Joakim Noah e companhia, esqueceram por alguns minutos a partida. De pé, aplaudiram Oscar, que não segurou a emoção ao ouvir seu nome cantado nas arquibancadas. Em um pedido de tempo ainda no primeiro quarto, o ídolo do basquete brasileiro foi chamado para dentro da quadra. Mais uma vez, de pé, foi aplaudido. Sentado no banco, Nenê só ouvia: “Eô, eô, Oscar, Oscar”.

E o pivô também não encontrou reação para ajudar sua equipe, e só assistiu os Bulls dominarem o jogo. Com o apoio da massa, o time de Chicago fez a festa e entrou para a história: no primeiro jogo da NBA no Brasil, saiu vitorioso. No intervalo, Oscar foi cercado por jornalistas. Questionado sobre a reação do público, com ele e com Nenê, manteve o discurso. “Eu estou vaiando ele há anos. O público reagiu, ninguém precisou falar nada. Quando você nega a Seleção, você está negando o seu país”, sentenciou.


O jogo

A bola laranja subiu e os primeiros dois pontos saíram para o lado rubro-negro, com Boozer chutando de chuá. E o domínio dos Bulls se traduzia em vantagem no placar. Do outro lado, o jovem Bradley Beal se destacava. Foram dele os sete primeiros pontos dos Wizards. Restando seis minutos para o fim do primeiro quarto, Jimmy Butler cravou a primeira enterrada, para delírio do público brasileiro. E só quando faltava pouco mais de um minuto, um chute do perímetro de Webster colocou o Wizards no jogo: 21 a 14.

Webster mostrou que estava com a mão calibrada e abriu o segundo quarto com mais um chute certeiro do perímetro e lance de bonificação: 23  a 21. A noite realmente não era de Nenê. O brasileiro, que zerou no primeiro quarto, teve a primeira chance de marcar seus pontos em quatro lances livres. Debaixo de sonora vaia, errou o primeiro e converteu os outros três chutes. Foi para o vestiário com três pontos e vendo seu Wizards bem atrás no placar: 44 a 35.

As vaias para o pivô não diminuíam e só aumentaram quando o locutor anunciou a presença de Leandrinho Barbosa, ex-Bauru Basket, atualmente à procura de um time na NBA. O esperado encontro entre os armadores Derrick Rose e John Wall não aconteceu. Pior: o camisa 2 do Wizards pouco produziu no primeiro tempo de jogo. Mas voltou melhor do intervalo e comandou a pequena reação de sua equipe. O Washington melhorou na defesa, ainda tropeçava no ataque, mas encontrou em Trevor Ariza a solução: em dois chutes certeiros do perímetro ele diminuiu a vantagem dos Bulls para cinco pontos.

Os Bulls pararam. O Wizards continuou se aproximando. E passou. Restando cinco minutos para o fim do último quarto, pela primeira vez o time de Washington assumiu a ponta em chute de três de Glen Rice: 79 a 77. O toco de Jan Vesely em cima de Taj Gibson colocou o Wizards ainda mais no jogo que, agora, seguia equilibrado.

Restando menos de um minuto, Gibson recebeu falta e partiu para mais dois chutes. O primeiro certeiro e o segundo, debaixo de vaias da torcida que via a possibilidade de prolongar o jogo, errou o segundo: 83 a 81. Nos segundos restantes, o Wizards tentou duas vezes, mas não conseguiu o chute que poderia empatar o jogo.


Vaiado, Nenê dispara: ‘Pobres de espírito’

Ao final do jogo, o pivô Nenê Hilário falou com a imprensa sobre as vaias que o acompanharam no jogo todo. “Não preciso me defender de nada. Não matei, não roubei ninguém. Um momento desse, uma conquista dessa, tem pessoas pobres de espírito que não conseguem discernir isso. Por isso o basquete brasileiro não consegue ter oportunidade. Mas um dia teremos pessoas competentes no comando do basquete brasileiro e isso um dia vai mudar. Saí daqui sozinho, e volto bem acompanhado”, disse.

Sobre as palavras de Oscar Schmidt, Nenê foi claro. “Não vou deixar pessoas egoístas, pobres de espírito interferir nos planos do Senhor. Tem coisas que só o futuro irá mostrar. A gente deveria estar comemorando um fato inédito e estamos falando de coisas mesquinhas, coisas que não levam a lugar algum. É isso que o Brasil precisa mudar para crescer”.