09 de julho de 2026
Nacional

Possível Selic com dois dígitos anima investimento externo

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

O Banco Central subiu quarta o juro básico da economia brasileira, a taxa Selic, em 0,50 ponto percentual, para 9,5% ao ano. O aumento, quinto seguido, era amplamente esperado pelo mercado.


Apesar disso, segundo especialistas consultados, a grande surpresa ficou com o comunicado da autoridade, que permaneceu inalterado em relação ao da última reunião, indicando que o BC pode voltar a subir a Selic em 0,5 ponto percentual em novembro, levando a taxa novamente a dois dígitos.


Além de ajudar a Bolsa, a perspectiva de juros em dois dígitos deixaria o país mais atraente aos investimentos externos, o que diminuiria a pressão sobre o dólar. "Não houve indicações no comunicado do BC de que a autoridade está disposta a desacelerar o ritmo de altas [da Selic] na próxima reunião, uma vez que o conteúdo da nota permaneceu inalterado em relação à anterior", diz Alberto Ramos, economista do Goldman Sachs.


Segundo Ramos, a ata da reunião do BC de quarta, que será divulgada na semana que vem, deve ser olhada com atenção. O documento deverá trazer a percepção da autoridade sobre o comportamento da inflação no país, que é considerada o principal fator para a política monetária do BC.


Semana passada, o governo deu aval ao BC para subir a Selic a dois dígitos, com avaliação de que uma inflação em alta causa mais estragos para a imagem da presidente Dilma que a elevação da taxa.


"O fato de o comunicado do BC ter permanecido inalterado deve ser visto como uma forte indicação de que o Copom [Comitê de Política Monetária do BC] vai considerar seriamente aumentar, novamente, em 0,50 ponto percentual a Selic, levando-a a dois dígitos", avalia Ramos.


Para Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú, a manutenção do comunicado do BC surpreendeu porque o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, tem se mostrado mais confiante com o cenário para a inflação, o que sugeria uma possível mudança no teor da nota da autoridade.


"A manutenção do comunicado, portanto, indica que, na visão do Copom, o ciclo de alta de juros deve continuar para minimizar as pressões inflacionárias geradas pela depreciação cambial e pelo mercado de trabalho ainda apertado", diz.


Mesmo assim, Goldfajn mantém "por ora" a expectativa de um ajuste adicional de 0,25 ponto percentual na Selic em novembro, dado o crescimento moderado e a estabilidade recente da taxa de câmbio.


"No entanto, reconhecemos que a manutenção do comunicado hoje aumenta a probabilidade do ciclo se prolongar para além de 10%, ao passo atual de 0,50 ponto percentual. Esperaremos a ata desta reunião, na próxima quinta-feira, para entender melhor os próximos passos que deverão ser dados pelo Banco Central", completa.