Com um beijo coletivo, começou por volta das 16h de ontem a 18ª Parada do Orgulho Gay do Rio, em Copacabana, zona sul da cidade. A Polícia Militar estima em cerca de 300 mil o número de participantes. A marcha foi aberta com um discurso de Julio Moreira, presidente do Grupo Arco-Íris, organizador do evento. “Este é um ato político, pois esta é a maior manifestação do Brasil. E vamos continuar lutando, pois é através do amor que ganhamos a liberdade.”
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Fernando Frazão/ABr |
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Parada Gay reúne mais de 300 mil pessoas em Copacabana |
A Parada conta com o apoio do público heterossexual, incluindo casais com filhos. Cerca de 300 policiais e agentes da Guarda Municipal acompanham a passeata, que transcorre de forma pacífica.
Para o travesti Andressa Lorray, 26 anos, o preconceito contra homossexuais diminuiu no Rio de Janeiro. “Eu me assumi como travesti aos 13 anos e sofri muito preconceito. Mas hoje, ao usar roupa de mulher, não sou mais tachada como algo bizarro. Isso se deve à nossa luta e a movimentos como esse de hoje”, afirmou Andressa.
Alguns políticos, entre os quais Carlos Minc, secretário estadual do Ambiente, e parlamentares ligados a movimentos LGBT foram a Copacabana apoiar a Parada.
Pink Blocs
Um grupo de mascarados chamou a atenção na Parada Gay. Inspirados nos Black Blocs, eles cobriram o rosto com panos cor-de-rosa e promoveram o “glittervandalismo” - lançaram purpurina no público. Apesar do tom de brincadeira, os pink blocs afirmam ter uma missão séria: defendem a maior politização da parada gay.
“Sou contra o discurso de que a passeata é alienação. O desbunde, a felicidade também são um gesto político. Mas houve um certo esvaziamento político da parada. No Brasil, houve avanço nos direitos individuais, mas a vivência homossexual ainda é repleta de preconceito, repressão. Se a pessoa acumula minorias - é negro, pobre, soropositivo - a realidade é ainda mais sofrida”, afirmou Eduardo Sá, 28 anos, um dos fundadores dos Pink Blocs.
O grupo tem como símbolo uma matrioshka nas cores do arco-íris, alusão ao fato de a Rússia ter aprovado recentemente lei que proíbe a “propaganda” de relações sexuais “não tradicionais” para menores de idade. Eles afirmaram que não querem polemizar com os Black Blocs.