10 de julho de 2026
Internacional

Negociações nos EUA avançam, próximo ao fim do prazo para calote

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Senadores dos Estados Unidos disseram ontem estar se aproximando de um acordo para viabilizar a reabertura dos órgãos públicos federais e adiar em vários meses uma possível moratória da dívida norte-americana, embora ainda há muitos obstáculos a serem superados até quinta-feira. Os líderes republicano e democrata no Senado se disseram otimistas com a perspectiva de que um acordo possa ser fechado em breve para evitar um calote da dívida e reabrir o governo dos EUA, que está parcialmente paralisado há 14 dias.

“Estou muito otimista de que nós vamos chegar a um acordo que seja razoável nesta semana”, disse o líder democrata, Harry Reid, no plenário do Senado. Os congressistas estão correndo contra o tempo, com as autoridades estimando que o governo federal vai exaurir sua capacidade de tomar empréstimos no dia 17 de outubro.

O plano em discussão elevaria o teto da dívida, atualmente de 16,7 trilhões de dólares, o suficiente para cobrir as necessidades de empréstimo do país até pelo menos meados de fevereiro de 2014, de acordo com uma fonte familiarizada com as negociações.

O plano também garantiria o financiamento das operações do governo até meados de janeiro, mantendo o corte generalizado dos gastos, o chamado sequestro, que começou a valer em março. Além disso, o plano prevê uma nova rodada de negociações orçamentárias até o fim do ano.

Qualquer acordo definido no Senado ainda precisa ser aprovado na Câmara dos Deputados, onde republicanos conservadores condicionam as medidas à redução de gastos públicos, inclusive do programa de saúde pública conhecido como Obamacare - algo que os democratas rejeitam.

O acordo não resolveria discordâncias sobre os gastos no longo prazo e o programa de saúde, que foram o estopim do impasse fiscal nos EUA, o que representaria, portanto, um recuo por parte dos republicanos.

Os republicanos sofreram um baque nas pesquisas de opinião desde que o impasse fiscal começou e alguns no partido se preocupam que isso possa prejudicar suas chances de ganhar o controle do Senado nas eleições legislativas do próximo ano.

A Casa Branca adiou uma reunião que estava marcada para as 15h (16h, horário de Brasília) de ontem com líderes congressistas para dar aos negociadores mais tempo para chegar a um acordo.

Não está claro se o Congresso conseguirá cumprir o prazo de 17 de outubro. Mesmo se republicanos e democratas no Senado alcançarem um acordo nesta segunda-feira, parlamentares de linha-dura, como o senador republicano do Texas Ted Cruz, podem explorar o regimento do Senado para adiar a votação por vários dias. O presidente da Câmara dos Deputados, John Boehner, pode também sofrer uma rebelião que poderia colocar em risco a sua posição de principal republicano em Washington se tentar levar adiante um projeto de lei contra as objeções dos conservadores da Casa.

“Minha esperança é que um espírito de cooperação nos leve adiante nas próximas horas”, disse o presidente dos EUA ontem, após visitar uma entidade beneficente que presta auxílio a famílias carentes, e onde alguns funcionários públicos afastados do trabalho por causa do impasse fiscal estão atuando como voluntários.