09 de julho de 2026
Geral

Maria e José: maioria entre professores do Estado

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo acaba de traçar o perfil dos profissionais que atuam na maior rede de ensino do País. O levantamento é comemorativo ao Dia do Professor, celebrado hoje. O cruzamento de dados feito pela secretaria mostra que as “Marias” e os “Josés” são os nomes mais comuns entre os 230 mil docentes da rede.

O levantamento detecta ainda que, nos anos iniciais, as mulheres são maioria no comando das salas de aula, mas a proporção de homens que ensinam cresceu ao longo dos últimos cinco anos, passando de 22,4% em 2008 para os atuais 26,2%. No geral, o sexo feminino responde por 73,8% entre professores e, no recorte entre o 3º e o 5º anos do ensino fundamental, a parcela delas chega a 97% entre os docentes.

Apesar de os homens serem minoria em quase todas as disciplinas, em física eles superam as mulheres na função e chegam a 53% entre os profissionais. Em química, eles também são numerosos, 45,8% do quadro. Já em língua portuguesa as professoras somam 89,1%.

Sobre a idade, o levantamento mostra que a maioria dos professores (52,2%) nasceu entre 1976 e 1983. Já oito em cada dez professoras (80,9%) têm como ano de nascimento entre 1975 e 1982. O levantamento também aponta o tempo de atuação na rede. Nos anos iniciais, mais da metade dos professores (50,9%) leciona há 20 anos ou mais. Nas outras séries avaliadas, foi identificado que 47,2% têm como tempo de docência entre 2 e 10 anos.

Para chegar aos dados, a pasta utilizou o questionário aplicado no Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar (Saresp) a cerca de 60 mil professores e o banco de dados da Coordenadoria de Informação e Monitoramento Educacional (Cima) da secretaria, abastecida com informações do departamento de Recursos Humanos da pasta.


‘É sempre bom fazer parte da vitória do aluno’

Há 20 anos na profissão, a professora Maria Aparecida de Oliveira Santini, 50 anos, diz que sua maior recompensa é perceber a evolução dos estudantes em sala de aula e descobrir que ex-alunos tiveram uma vida bem sucedida. “De vez em quando, a gente reencontra estes alunos. É sempre bom saber que fez parte da vitória de cada um deles”, diz.

Maria é professora de história e geografia nos ensinos fundamental e médio e ministra 60 aulas por semana para, segundo ela, conseguir ter um “salário razoável”. Embora o reconhecimento financeiro não seja o esperado e existam dificuldades estruturais para manter os alunos interessados nas aulas, ela diz que não troca sua profissão por qualquer outra.

“Ainda criança, quando estava na escola, e mesmo quando trabalhava como secretária, eu já tinha facilidade para ensinar. Depois de me formar em relações públicas, fiz história e pedagogia. Transmitir conhecimento para fazer uma sociedade melhor é uma grande responsabilidade e é o que eu gosto de fazer”, observa.


‘Além de ensinar, a gente também aprende’

O professor da rede estadual José Benedito Junior, 30 anos, formou-se em química com a meta de atuar no ramo industrial. No início da carreira, chegou a atingir seu objetivo, mas os planos mudaram. Há cinco anos, quando notou a escassez de docentes nesta disciplina, José decidiu começar a dar aulas.

“No começo, não gostava muito de dar aulas. Mas aí a gente descobre que, além de ensinar, também tem muito a aprender. E isso acaba sendo um estímulo para sempre buscar o aperfeiçoamento”.

Atualmente, já bastante adaptado às demandas próprias do ofício, ele já não cogita mais a possibilidade de se afastar das salas de aula.

14.235

É o número de professoras que se chamam Maria na rede estadual de ensino

2.536

É o número de professores que se chamam José nas escolas do Estado

 

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