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Thiago Vendrami |
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Veículo foi localizado na quadra 14 da rua Jorge Schneyder Filho, no limite entre o Parque Bauru e o Ferradura Mirim |
O corpo do cabeleireiro José Henrique da Silva, 48 anos, foi localizado às 2h30 de ontem carbonizado dentro do porta-malas do seu Fiat Stilo. Com 90% do corpo queimado pelas chamas, somente o laudo necroscópico poderá apontar com precisão a causa da sua morte.
Silva é a 27ª vítima de morte violenta neste ano em Bauru, de acordo com levantamento extraoficial feito pelo JC. Seu corpo foi reconhecido por um irmão.
O delegado Kleber Granja, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) da Central de Polícia Judiciária (CPJ), tem a convicção de que a vítima não foi morta na quadra 14 da rua Jorge Schneyder Filho, no limite entre os bairros Parque Bauru e Ferradura Mirim, local onde seu automóvel foi localizado ainda em chamas. Silva residia na Vila Paraíso, região oposta ao lugar onde seu automóvel foi incendiado.
Ao acompanhar a perícia da Polícia Técnica, Granja cita que o corpo estava nu e foi colocado no porta-malas com as mãos amarradas para trás atadas por um fio de extensão elétrica e o cinto, provavelmente da vítima.
“Fica bem claro que o criminoso teve um contato inicial com a vítima. Se era ou não do convívio da vítima, a gente não tem convicção formada. Claro que a gente não descarta essa hipótese”, ressalta Granja.
Em fase de confecção de laudos periciais, o delegado não sabe precisar ainda se o cabeleireiro foi queimado vivo. “Não sabemos ainda a causa da morte. Ele teve o corpo praticamente todo carbonizado, com queimaduras de quarto grau”, salienta.
Granja trabalha com a possibilidade de homicídio qualificado, o que agrava o crime pelo uso de fogo, meio cruel e que não possibilitou reação à vítima amarrada, além da motivação fútil. Caso o cabeleireiro já estivesse morto e posteriormente ateou-se fogo ao seu corpo, Granja esclarece que se acrescenta a tentativa de ocultação de cadáver, visando dificultar o reconhecimento ou o vilipêndio da vítima.
Latrocínio
O delegado titular da DIG trabalha ainda com a possibilidade de latrocínio como motivação para o assassinato de Silva.
Granja comenta que não era possível observar no cadáver ferimentos na cabeça, marcas de asfixia mecânica, enforcamento, estrangulamento, sinais de ferimentos à faca nem tiros. “Só não estavam carbonizadas as costas e as mãos. O tórax dele estava com queimaduras de terceiro grau. Da cintura para baixo estava totalmente carbonizado”, detalha Granja.
O JC apurou com moradores onde o carro foi achado que um motorista de um circular e passageiros viram o incêndio e acionaram a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros. Populares tentaram apagar o fogo com extintores. O fato de ninguém ouvir nenhum barulho sugere que a vítima já estava morta quando seu carro foi incendiado.
Perfil da vítima
Para juntar as peças que possam chegar à autoria da morte do cabeleireiro José Henrique da Silva, o delegado Kleber Granja e a equipe de homicídios da DIG de Bauru começaram a refazer os possíveis últimos passos da vítima. Granja conta que Silva teria passado em uma padaria.
O cabeleireiro José Henrique da Silva tinha um salão no centro de Bauru. Ele era bauruense, solteiro e residia com os pais na Vila Paraíso. Granja esclarece que familiares e amigos definiram Silva como uma pessoa de hábitos pacatos, não possuía inimigos e nem registro de antecedentes criminais.
“É vítima que foge do estereótipo de muitos casos em Bauru em que a vítima tem relacionamento com a criminalidade. Não tem nenhuma vinculação com qualquer tipo de ameaça”, relata.
O JC fez contato com o irmão da vítima, que somente comentou que a família está muito abalada.