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Aceituno Jr. |
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Em horários de pico, fazer a travessia no trevo é quase um esporte radical que exige adrenalina e paciência |
Um desafio de adrenalina e que exige muita paciência. Por incrível que pareça, não se trata de algum esporte radical. A dificuldade é vivida por milhares de motoristas que precisam trafegar no horário de rush pelo trevo André de Blóis Montoro, em Bauru. No limite, o acesso é palco de filas gigantescas de veículos e de intenso “confronto” entre motoristas.
O maior problema do trevo que vem da Nuno de Assis e dá acesso a bairros populosos como Mary Dota, Beija-Flor, Jardim Chapadão e Santa Luzia é o meio da rotatória (Ponto X no mapa ao lado). Naquele local, os motoristas que vieram da Nuno precisam parar e esperar os veículos que deixaram a rodovia Marechal Rondon (SP-300) e “descem” para a rotatória.
É nesse “nó” que começa o amplo exercício de risco e paciência. Pelo fato de a rodovia ser usada cada dia mais como avenida (leia mais abaixo), o fluxo de veículos que sai da pista em direção à rotatória é enorme. Assim, os motoristas ficam um bom tempo aguardando uma oportunidade para atravessar.
“Ali, o motorista precisa ter a atenção redobrada e muita paciência. A recomendação é que ele somente atravesse quando tiver a certeza que há tempo hábil”, alerta o 1º tenente Vitor Tamarozzi, que responde pela área de Bauru do Batalhão da Polícia Rodoviária.
Na mais perfeita analogia de um dominó, enquanto os motoristas aguardam uma brecha no fluxo veloz vindo da rodovia, uma fila enorme de carros se forma e chega até a Nuno de Assis.
A reportagem do JC esteve no local anteontem e demorou mais de 15 minutos para fazer a travessia no trecho. Além do congestionamento de mais de um quilômetro formado na Nuno de Assis, o mesmo ocorre no sentido contrário a quem tenta acessar o dispositivo vindo dos bairros. A rua Heitor Maia também apresenta frequentes engarrafamentos.
“O ponto realmente é muito problemático. Esse trevo é o acesso de bairros bastante populosos e muitos motoristas acabam usando a rodovia como via de ligação. Ali, acaba se encontrando todo esse fluxo”, explica o tenente.
Apesar dos riscos, ele complementa que os acidentes frequentes são geralmente sem vítimas. Porém, qualquer ocorrência piora ainda mais o trânsito no local. “Por conta do grande movimento, ocorre um acidente e logo depois outro é registrado logo atrás”. É o que o policiamento denomina de rabo de fila.
O tenente Vitor Tamarozzi ressalta que o problema não é só ali. De acordo com ele, outros acessos como o da Nações Unidas e o da rua das Festas também são complicados nos horários de pico. Porém, como a engenharia e a execução deles são menos complexas, acabam não se tornando tão críticos. “Em todos, contudo, a causa é realmente o grande número de motoristas que usam a rodovia como ligação entre bairros”.
Soluções?
Em matéria veiculada no último dia 6 de setembro no JC, a falta de vias de acesso entre bairros de Bauru já havia sido criticada. Na ocasião, especialistas afirmaram que o efeito dessa falta de planejamento urbano é exatamente a sobrecarga na Rondon. “Tudo cresceu, mas o sistema viário continua o mesmo”, cravou o engenheiro Archimedes Raia Júnior.
Questionada sobre o problema pontual no trevo André de Blóis Montoro, a concessionária que administra a rodovia, a ViaRondon, afirma que “tem acompanhando de perto os fatos apontados e, assim, realiza estudos junto à Artesp para encontrar as melhores soluções aos problemas identificados, bem como a implantação de marginais e melhorias nos dispositivos”.
Sobre os veículos que descem em alta velocidade da Rondon e chegam ao trevo, afirmou ser impossível instalar semáforos, justamente por ser trecho rodoviário. “Para atender tal demanda, já existem no trecho urbano de Bauru cinco radares fixos. Estes equipamentos têm como função estimular a redução da velocidade no trecho e, consequentemente, auxiliar na diminuição do número de acidentes”.
A Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) foi acionada anteontem, entretanto, até o fechamento desta edição, os técnicos do órgão não emitiram parecer sobre o trevo André de Blóis Montoro.
Atenções diferentes
Quando se fala em trecho urbano na Marechal Rondon, a mistura entre motoristas com “objetivos diferentes” é um dos maiores riscos.
O problema é que motoristas que usam a rodovia como vias de acesso aos bairros ficam lado a lado com aqueles que estão seguindo viagem. “Esses motoristas com níveis de atenções diferentes no mesmo local é algo perigoso”, alerta o tenente Vitor Tamarozzi.
A avenida Rondon
O trecho urbano da Marechal Rondon tem 11,5 quilômetros de extensão. Pela falta de obras viárias dentro de Bauru, a rodovia passou a ser usada ao longo dos anos como uma verdadeira avenida de ligação entre os diversos bairros. Em determinados momentos, já apresenta congestionamentos.
Em matéria divulgada no mês passado pelo JC, de acordo com dados da Artesp, o fluxo médio diário nesta parte da rodovia é de 38.700 veículos. Isso significa que, a cada dois segundos, um veículo passa pelo trecho urbano da SP-300.
Exatamente por conta do grande fluxo, a Artesp estuda antecipar em quatro anos as marginais. Assim, as obras começariam já em 2014. O valor do investimento, que irá abranger os dois sentidos da via, seria de R$ 43,4 milhões.
Além de antecipar as marginais, a Artesp prometeu, na reportagem veiculada em setembro, que, para os dois próximos anos, estão previstas a execução de obras de melhoria e ampliação em 12 dispositivos, como retornos, acessos, entre outros.
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